Patrícia Poeta foi homenageada em Cannes com um prêmio por sua trajetória na comunicação, e continuava lendo dicas de beleza como quem finge que vai seguir todas até terça-feira. O suco de melancia já estava na geladeira, o bolo de laranja devidamente atacado, e eu me preparava para uma manhã de pouca ambição quando o celular brilhou com Patrícia no tapete vermelho francês. Amores, eu estava de roupa confortável e alma amassada; a mulher apareceu em Cannes dizendo que sonhar nunca foi bobagem. Quase passei um batom por respeito.
A apresentadora compartilhou nas redes sociais que recebeu o Lifetime Achievement Awards 2026, prêmio concedido pela Global Short Film Awards a nomes de destaque mundial na comunicação, cultura e entretenimento. A homenagem aconteceu durante sua primeira passagem pelo red carpet do Festival de Cannes.

No texto publicado para os seguidores, Patrícia relembrou a infância em São Jerônimo, no interior do Rio Grande do Sul, quando brincava de fazer televisão e já intuía o caminho que queria seguir. A apresentadora também falou sobre a distância entre o sonho de menina e a realidade de uma carreira construída ao longo de quase três décadas na televisão.
“Eu só não sabia como chegar. Não sabia o caminho, não sabia o tamanho do sonho? mas ele já morava dentro de mim. E aquela menina simples, cheia de vontade, já era feliz só por sonhar”, afirmou.
Patrícia destacou que a homenagem representa os quase 30 anos de carreira, marcados por trabalho, dedicação, vitórias e desafios. A apresentadora já passou por diferentes fases na Globo, do jornalismo ao entretenimento, e hoje comanda o “Encontro”, uma das vitrines mais disputadas da manhã brasileira.
E olha, pode-se gostar mais ou menos do estilo de Patrícia, mas negar a persistência da mulher é má vontade com crachá. A menina saiu de São Jerônimo, atravessou redação, bancada, programa ao vivo, crítica diária, comparação ingrata e meme de internet. Chegar a Cannes com prêmio de trajetória não é pouca coisa. É um daqueles momentos em que a televisão brasileira, tão acostumada a triturar suas próprias mulheres, precisa ao menos levantar uma sobrancelha de respeito.

Na publicação, Patrícia também contou que cruzar o tapete vermelho do Festival de Cannes foi emocionante, mas que o mais forte foi perceber que o sonho de infância tinha virado realidade.
“E quer saber? Aquela menina lá de São Jerônimo está feliz. Está radiante. Seus sonhos viraram realidade. Cruzar o tapete vermelho do Festival de Cannes foi emocionante. Mas mais emocionante ainda foi perceber que sonhar nunca foi uma bobagem. Sonhar é o começo da realização das coisas mais importantes da nossa vida”, escreveu.
Para a ocasião, a apresentadora usou um vestido exclusivo da Maison Zorya Atelier de Haute Couture. A peça, chamada “La Marquise”, foi assinada por madame Leila Bem Halima e contou com corset estruturado, cristais Swarovski bordados manualmente e tecidos importados da Itália e da Índia.
Ou seja: Patrícia não foi a Cannes só receber prêmio. Foi receber prêmio com estrutura, brilho, cristais e aquele drama fashion que faz qualquer tapete vermelho entender que chegou uma brasileira disposta a ocupar espaço. E, convenhamos, se é para homenagear quase 30 anos de carreira, que seja com corset, alta-costura e foto em ângulo de poder.
