A torcida fez festa quando o nome do camisa 10 foi anunciado na escalação e cada vez que o craque tocava na bola celulares eram sacados dos bolsos para filmar uma possível jogada de genialidade

Com todos os olhos voltados para Neymar, o Santos teve uma manhã para esquecer e foi derrotado por 3 a 0 para o Coritiba, neste domingo, em partida da 16ª rodada do Campeonato Brasileiro Na última partida antes da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, o camisa 10 foi pouco efetivo e, após atuação para discreta, acabou substituído após lambança da arbitragem. O ex-palmeirense Breno Lopes ofuscou o craque e foi o grande nome da partida, marcando dois gols, sofrendo o pênalti que resultou no terceiro e ainda provocou uma expulsão.
Com o resultado, o Santos estaciona nos 18 pontos e continua próximo da zona de rebaixamento. Já o Coritiba vai aos 23 e se aproxima do pelotão de cima da tabela de classificação.
Ciente de todo o apelo que a partida deste domingo teria, a diretoria do Santos decidiu mandar a partida na Neo Química Arena, estádio do Corinthians, cuja capacidade superior a 45 mil pessoas transformaria o duelo com o Coritiba no cenário perfeito para Neymar brilhar. A torcida fez festa quando o nome do camisa 10 foi anunciado na escalação e cada vez que o craque tocava na bola celulares eram sacados dos bolsos para filmar uma possível jogada de genialidade.
Neymar demonstrou-se participativo desde os primeiros minutos. No 4-4-2 utilizado pelo técnico Cuca, o craque cai pelo lado esquerdo, mas tem liberdade para “flutuar” em diferentes partes do campo. O capitão santista buscou jogadas de efeito com toques de calcanhar e animou a torcida quando deu lindo corta-luz, mas sem conseguir finalizar. Na chance que teve na etapa inicial, isolou.
O Coritiba, que não tem nada a ver com a convocação de Neymar, pareceu ter aprendido com a eliminação na Copa do Brasil para o Santos e foi letal. A equipe paranaense demonstrou-se aplicada taticamente e foi eficiente quando o time de Cuca deu brecha. Aos cinco minutos, o atacante Breno Lopes, autor do gol do Palmeiras sobre os santistas na final da Libertadores de 2020, avançou com liberdade desde a intermediária e bateu na saída do goleiro Gabriel Brazão para marcar. Aos 23, o camisa 77 só teve o trabalho de empurrar para as redes depois de o Coritiba fazer valer de nova desatenção da defesa para entrar na área com superioridade e ampliar o marcador.
Com o placar amplamente desfavorável, o Santos começou a se apressar e errou ainda mais passes. Bem marcado, Neymar tentou dar sequência a jogadas com toques de primeira, mas quando não acertava o passe, era parado com falta. Também foi comum ver o camisa 10 conduzindo a bola para trás para na tentativa de “clarear” as jogadas, mas o coletivo não ajudou – o lateral Mayke, muito vaiado, deu lugar ao volante Oliva ainda no primeiro tempo. O meia Josué, um dos melhores do Coritiba na partida, fez o terceiro, aos 37, em cobrança de pênalti após o lateral Escobar derrubar Breno Lopes na área. Brazão ainda evitou o que seria o quarto após novo contra-ataque.
O Santos voltou para o segundo tempo com três alterações, incluindo a entrada de Gabigol. O zagueiro Luan Peres, que também entrou no intervalo, foi a nocaute após receber uma bolada na cabeça e a ambulância precisou entrar no gramado para atender o atleta. Ele se levantou e conversou com os médicos, mas foi substituído pelo jovem João Ananias.
As mexidas deixaram o Santos mais compacto e, com os jogadores mais próximos uns dos outros, Neymar conseguiu tabelar com os companheiros e se “esconder” da marcação para receber passes em melhores condições. Ainda assim, o camisa 10 teve dificuldade para superar o bloqueio do Coritiba. Quando tentou uma arrancada, não conseguiu cruzar de maneira efetiva. Quando encontrou Gabigol, o camisa 9 finalizou para fora.
Aos 18 minutos, Neymar foi à beira do gramado para receber massagem na panturrilha direita. Dois minutos depois, a arbitragem protagonizou uma lambança: o quarto árbitro Bruno Mota Correia levantou a placa com número 10, indicando a entrada de Robinho Jr. no lugar de Neymar. A comissão técnica reclamou e disse que na verdade seria Escobar quem sairia, mostrando o papel oficial ao árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva. O craque se recusou a sair, reclamou bastante e foi advertido com cartão amarelo. De acordo com a regra, a mudança não pôde ser desfeita após o substituto entrar em campo. Neymar precisou sair mesmo contrariado e continuou reclamando no banco de reservas.
A bola voltou a rolar após cinco minutos de paralisação e as coisas continuaram ruins para o Santos. Barreal, outro que entrou no intervalo, foi expulso aos 27 minutos do após carrinho em Breno Lopes, que avançava com liberdade pela esquerda. Robinho Jr. ainda teve a chance clara de diminuir o placar, mas depois do cartão vermelho, o Coritiba teve tranquilidade para jogar com paciência e manter o resultado até o apito final.
SANTOS 0 X 3 CORITIBA
SANTOS – Gabriel Brazão; Mayke (Oliva), Lucas Veríssimo, Adonis Frías e Escobar; Willian Arão (Barreal), Gustavo Henrique (Luan Peres e depois João Ananias), Gabriel Bontempo e Rollheiser; Moisés (Gabigol) e Neymar (Robinho Jr.). Técnico: Cuca.
CORITIBA – Pedro Rangel; Lucas Taverna (Wallisson), Tiago Cóser, Rodrigo Moledo e Bruno Melo; Thiago Santos (Vini Paulista), Sebastián Gómez e Josué (Gustavo); Pedro Rocha (Renato Marques), Lavega (Willian Oliveira) e Breno Lopes (David). Técnico: Fernando Seabra.
ÁRBITRO – Paulo Cesar Zanovelli da Silva (MG)
GOLS – Breno Lopes, aos 5 e aos 23, e Josué, aos 37 do primeiro tempo
CARTÕES AMARELOS – Escobar, João Ananias, Neymar e Gabigol (Santos); Lucas Taverna (Coritiba)
CARTÃO VERMELHO – Barreal (Santos)
PÚBLICO – 45. 360
RENDA – R$ 3.022.470,00
LOCAL – Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
