Luiz Eduardo Baptista, o Bap, é o presidente do Flamengo (Crédito: Paulo Reis/Flamengo)
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, voltou a defender a criação de uma liga única no futebol brasileiro. No entanto, durante evento realizado em Campinas nesta quinta-feira (23), o dirigente deixou claro que exige regras transparentes e criticou acordos que, segundo ele, podem comprometer a competitividade do esporte no país.
Ao falar na segunda edição do CBC & Clubes Expo, organizada pelo Comitê Brasileiro de Clubes, Bap citou diretamente o empréstimo de R$ 80 milhões feito pela Crefisa ao Vasco. Para ele, a operação levanta dúvidas e pode abrir espaço para uma espécie de “propriedade cruzada” entre clubes.
Recentemente, dirigentes de Vasco e Palmeiras criticaram a postura do Presidente do Flamengo.
Bap questiona garantia do empréstimo ao Vasco
Durante a palestra, Bap afirmou que o Flamengo apoia a criação de uma liga. Porém, segundo ele, o formato precisa respeitar princípios e valores claros.
“O Flamengo sempre foi a favor de uma liga nacional. A liga pode duplicar ou triplicar o valor do dinheiro do futebol no Brasil. O problema está na forma como isso será feito”, afirmou.
Na sequência, o dirigente usou o caso do Vasco como exemplo. Segundo Bap, a garantia exigida pela Crefisa no empréstimo gera preocupação.
“Qual instituição financeira empresta dinheiro e pede como garantia o título da dívida? Se eu fosse banqueiro, pediria um ativo real, como São Januário. Quem pede ações da SAF como garantia talvez queira assumir a SAF”, disse.
Além disso, Bap afirmou que a legislação brasileira e internacional impõe restrições para que um mesmo grupo tenha influência em mais de um clube.
Presidente do Flamengo rebate críticas sobre posição na Liga
Bap também rebateu críticas de dirigentes que acusam o Flamengo de dificultar a criação da liga.
Segundo ele, o clube não vai aceitar acordos que considere prejudiciais ou pouco transparentes.
“O Flamengo não é contra a liga. Mas não vai compactuar com nada que ache incorreto ou indecente”, declarou.
A fala acontece em meio às discussões entre Libra e Liga Forte União, grupos que ainda tentam alinhar um modelo único para o futebol nacional.
Bap critica recuperação judicial do Botafogo
Além do tema da liga, o presidente rubro-negro comentou a situação financeira do Botafogo.
Bap criticou a recuperação judicial pedida pela SAF alvinegra e questionou o aumento da dívida desde a chegada do modelo de gestão.
Segundo ele, a SAF foi criada para resolver passivos antigos. No entanto, na visão do dirigente, a dívida cresceu ainda mais.
“Você pega uma dívida antiga, não resolve, faz mais de R$ 1 bilhão em novas dívidas e depois coloca tudo em um pacote único de reformulação”, afirmou.
Apesar da crítica, Bap reconheceu que o modelo de SAF pode funcionar. Ele citou exemplos positivos como Red Bull Bragantino e Bahia. Ao mesmo tempo, defendeu punições severas para investidores que não cumprem promessas.
Flamengo volta a criticar gramados sintéticos
Outro assunto abordado por Bap foi o uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro. Isso porque o dirigente reforçou que o Flamengo é favorável à grama natural e criticou o uso de “campo de plástico” em competições de alto nível.
“Você quer fazer uma liga mais forte e mais lucrativa com campo de plástico? É brincadeira”, disparou.
De acordo com ele, esse tipo de gramado faz sentido em países com clima extremo, onde a neve dificulta a manutenção.
Além disso, Bap sugeriu que muitos clubes adotam o sintético para reduzir custos e aumentar receitas com shows.
“Quem quer ganhar dinheiro com show deve mudar de segmento. Quem quer ganhar dinheiro com futebol precisa defender gramado natural”, afirmou.
Reforma tributária preocupa os clubes
Por fim, Bap participou de uma discussão sobre a reforma tributária e alertou para o aumento da carga fiscal sobre clubes associativos.
Segundo o dirigente, tirar recursos do esporte pode comprometer o desenvolvimento de atletas e projetos sociais.
“O esporte nacional vive de esmolas há anos. Agora querem tirar até isso”, disse.
A audiência pública para debater o tema acontecerá no próximo dia 28 de abril, na Comissão de Esporte do Senado.
