Empresas querem inteligência artificial, mas não têm a base pronta

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Falta de estrutura e decisões apressadas travam o uso real da tecnologia, diz executivo da PARS

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Raphael Militino, gerente da unidade de infraestrutura e cibersegurança da PARS

A corrida pela inteligência artificial já começou, mas boa parte das empresas ainda não está pronta nem para dar o primeiro passo. A busca por soluções mais avançadas, especialmente em IA, tem exposto um problema importante.

Muitas organizações tentam acelerar a adoção de tecnologia sem ter a base necessária para sustentá-la. “Existe um descompasso claro entre o avanço da tecnologia e o preparo das empresas para absorver esse avanço”, afirma Raphael Militino, gerente da unidade de infraestrutura e cibersegurança da PARS.

Segundo ele, o movimento é impulsionado pela pressão de mercado. As empresas querem acompanhar tendências, mas ainda enfrentam limitações básicas, como falta de infraestrutura, dados desorganizados e ausência de estratégia clara.

“Hoje se fala muito em inteligência artificial, mas muitas empresas ainda não têm infraestrutura mínima para suportar esse tipo de tecnologia. Falta base, organização e clareza sobre como aplicar isso na prática”, explica.

Na prática, isso significa que a tecnologia até chega, mas não entrega o resultado esperado. Parte desse problema está na forma como o investimento é encarado. Para Militino, ainda predomina a visão de que tecnologia é custo e não um elemento estratégico do negócio.

“Muitas empresas ainda tratam tecnologia como gasto. E, no dia a dia, acabam perdendo dinheiro por não investir da forma correta”, diz.

Essa perda nem sempre aparece de forma explícita. Ela surge em retrabalho, baixa produtividade e decisões tomadas com base em informações incompletas ou inconsistentes.

“Quando você coloca na ponta do lápis, o que a empresa já perde internamente pode ser várias vezes maior do que o valor que ela considera alto para investir”, afirma.

Outro erro comum está na escolha das soluções. Em um cenário de pressão por redução de custos, muitas empresas priorizam o preço e deixam de lado etapas essenciais, como consultoria, treinamento e implementação adequada.

“As empresas compram tecnologia pelo preço, não pelo valor de entrega. E isso compromete o resultado”, explica. Para enfrentar esse cenário, a saída é a adoção de um modelo mais consultivo, que busca entender a real necessidade do cliente antes de recomendar qualquer solução.

“A gente não vende uma solução pronta. Nosso papel é mostrar para o cliente onde ele está e o que precisa ser feito para evoluir”, afirma. Esse trabalho inclui testes práticos das tecnologias, permitindo que as empresas avaliem o impacto das soluções antes de tomar decisões mais estruturais.

O objetivo é reduzir erros e aumentar a eficiência dos investimentos. Mesmo com os desafios, Militino avalia que o mercado brasileiro está evoluindo, ainda que em ritmos diferentes.

Ele cita o agronegócio como exemplo de contraste. Enquanto algumas empresas operam com alto nível de maturidade tecnológica, outras ainda enfrentam dificuldades básicas, mesmo em regiões mais desenvolvidas.

“O que diferencia uma empresa da outra hoje não é o porte. É o nível de conhecimento e a forma como ela enxerga a tecnologia”, afirma. Com crescimento acelerado, a PARS encerrou 2025 com faturamento superior a R$1,2 bilhão e projeta manter a expansão nos próximos anos.

Para Militino, o cenário deve continuar pressionando as empresas, mas o principal desafio não deve mudar. “Não é sobre ter acesso à tecnologia. É sobre saber usar. E hoje, esse ainda é o maior gargalo do mercado”, conclui.





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