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Nesta sexta-feira (29), os três astronautas da missão chinesa Shenzhou 21 retornaram com sucesso à Terra após passarem 210 dias a bordo da estação espacial Tiangong. A cápsula pousou no Centro de Pouso de Dongfeng, na região da Mongólia Interior, às 9h11 da manhã, pelo horário de Brasília – 20h11, no horário padrão da China.
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A missão entrou para a história do programa espacial chinês ao estabelecer um novo recorde de permanência em órbita para uma tripulação do país. Além disso, o retorno chamou atenção por um detalhe incomum: os astronautas voltaram em uma espaçonave diferente daquela que os levou ao espaço.

Impacto de lixo espacial em outra espaçonave deixa astronautas à deriva no espaço
Formada pelo comandante Zhang Lu e pelos astronautas Wu Fei e Zhang Hongzhang, a tripulação foi lançada em 31 de outubro do ano passado para assumir as operações na Tiangong e substituir os integrantes da missão Shenzhou 20.
Poucos dias depois, porém, um problema inesperado alterou os planos da agência espacial chinesa. Durante inspeções realizadas antes do retorno da Shenzhou 20, técnicos identificaram uma rachadura em uma das janelas da cápsula, que teria sido provocada pelo impacto de detritos espaciais.
Diante dos possíveis riscos, as autoridades decidiram não utilizar a nave danificada para transportar astronautas. Assim, em 14 de novembro, a tripulação da Shenzhou 20 retornou à Terra usando a cápsula da recém-chegada Shenzhou 21, deixando os novos ocupantes da estação “isolados”, sem uma nave disponível para uma evacuação imediata, caso fosse necessário.
A situação, no entanto, foi resolvida rapidamente. Para garantir a segurança dos astronautas, a China acelerou os preparativos da missão Shenzhou 22. A espaçonave foi lançada sem tripulação em 24 de novembro e permaneceu acoplada à Tiangong como veículo de emergência e retorno.

E foi justamente essa cápsula que trouxe a tripulação Shenzhou 21 de volta para casa. Já a nave Shenzhou 20, que sofreu a rachadura, retornou vazia em 21 de janeiro para que os engenheiros pudessem analisar seus sistemas após a aterrissagem.
A missão marcou o segundo voo espacial de Zhang Lu, que já havia integrado a Shenzhou 15 entre 2022 e 2023. Para Zhang Hongzhang e Wu Fei, a experiência foi inédita. Aos 32 anos, Wu tornou-se o astronauta chinês mais jovem a ir ao espaço.
Logo após o pouso, Wu declarou à emissora de TV CGTN que a missão representou uma importante experiência pessoal e profissional. “Esta missão me ensinou que a forma mais bela da juventude é atender ao chamado da pátria”, disse ele.
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Durante os sete meses em órbita, os astronautas realizaram três caminhadas espaciais e participaram de diversas pesquisas científicas em áreas como física em microgravidade, ciência dos materiais, biologia espacial, medicina aeroespacial e desenvolvimento de tecnologias para futuras missões.
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Os integrantes da Shenzhou 21 já foram substituídos pela tripulação da missão Shenzhou 23, lançada no domingo (24). O novo grupo é formado por Zhu Yangzhu, Zhang Zhiyuan e Lai Ka-ying, que se tornou o primeiro astronauta de Hong Kong a chegar ao espaço.
As autoridades chinesas anunciaram que um dos três permanecerá um ano inteiro na estação Tiangong, estabelecendo mais um marco inédito para o programa espacial do país. O nome do astronauta escolhido ainda não foi divulgado.
