Por que o café tem gosto amargo? Estudo explica mecanismo

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Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill identificaram, em nível molecular, como compostos presentes no café ativam receptores ligados ao sabor amargo. O estudo foi publicado na revista Nature Structure & Molecular Biology e analisou o funcionamento do receptor TAS2R43, um dos 26 receptores de amargor existentes no corpo humano.

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Os cientistas usaram uma técnica de imageamento para observar pela primeira vez como esse receptor responde a substâncias amargas presentes no café, incluindo a cafeína e o mozambiosídeo. Segundo os autores, a descoberta pode ter aplicações que vão além da alimentação e ajudar no desenvolvimento de futuras estratégias terapêuticas.

Mulher faz expressão de amargor enquanto toma uma xícara de café em cafeteria
Estudo investigou como receptores do corpo humano detectam compostos responsáveis pelo sabor amargo do café – Imagem: Nicoleta Ionescu / Shutterstock

Receptores amargos atuam em diferentes partes do corpo

Os receptores de sabor amargo são encontrados em várias regiões do organismo e, de acordo com os pesquisadores, provavelmente evoluíram para proteger os seres humanos contra substâncias tóxicas, além de auxiliar na regulação do metabolismo.

“Os receptores de sabor amargo são considerados importantes para detectar toxinas, patógenos e bactérias nocivas nas vias aéreas, intestino, pele e órgãos, iniciando respostas imunes, eliminando patógenos, regulando células imunes, influenciando a secreção hormonal e auxiliando a digestão”, afirmou Bryan Roth, biólogo molecular e coautor do estudo.

Embora a estrutura microscópica do TAS2R43 já tivesse sido determinada anteriormente, os pesquisadores afirmam que ainda não havia uma análise sobre como ele reagia a compostos amargos.

Técnica permitiu observar resposta a compostos do café

Para investigar o funcionamento do receptor, a equipe utilizou a técnica de criomicroscopia eletrônica (cryo-EM). O método consiste em congelar rapidamente moléculas biológicas e usar elétrons para gerar imagens tridimensionais detalhadas.

Com isso, os cientistas registraram como o TAS2R43 respondia aos compostos amargos do café e compararam os resultados com reações observadas em outros receptores.

“Neste trabalho, resolvemos as estruturas do TAS2R43 ligado a compostos amargos e mostramos, em detalhes moleculares, como esse receptor detecta moléculas amargas”, disse Yoojoong Kim, biólogo molecular e coautor do estudo.


Descoberta pode influenciar pesquisas médicas

Segundo os pesquisadores, os resultados oferecem uma base molecular para o desenvolvimento de compostos capazes de controlar a forma como o amargor é percebido em alimentos e medicamentos.

Além disso, a equipe afirma que a descoberta também pode contribuir para pesquisas voltadas a doenças relacionadas à defesa das vias aéreas, funcionamento intestinal, inflamação e respostas do organismo a micróbios.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).




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