
Grêmio acompanha bastidores da CBF por liga unificada
Há uma semana, a CBF realizou uma reunião reservada em um hotel no Rio de Janeiro com representantes de clubes do futebol brasileiro. O encontro, longe dos holofotes, abriu uma discussão direta sobre o futuro das ligas e o modelo de organização do Brasileirão tema que impacta diretamente o Grêmio.
E eu vou te contar o porquê dessa reunião.
Vamos seguir o fio e uma linha de raciocínio básica.
Hoje, o futebol brasileiro vive dividido em dois blocos: a Liga Forte União (LFU) e a Libra. Além deles, existe a CBF. E aí surge a pergunta: qual o papel da entidade nesse cenário?
Liga, dinheiro e disputa por protagonismo
Quando as ligas foram criadas, o objetivo dos clubes era claro: aumentar receitas, principalmente com direitos de transmissão. Um movimento que mudou a lógica do futebol nacional.
Na liga, o dinheiro vem antes da exposição.
Na CBF, historicamente, acontece o contrário.
Um exemplo prático ajuda a entender. A Libra vendeu os direitos de transmissão de seus clubes para a Globo no ciclo de 2025 a 2029 por R$ 6 bilhões. O acordo inclui TV aberta, fechada, streaming e pay-per-view.
A divisão segue um modelo:
40% igualitário, 30% por performance e 30% por audiência.
Na prática, cerca de R$ 1,3 bilhão por ano distribuídos entre nove clubes.
É aqui que entra o ponto central: nesse modelo, a CBF não participa diretamente da divisão dessa receita.
E é justamente por isso que a reunião aconteceu.
CBF quer protagonismo na futura liga
Sem poder de negociação sobre direitos de transmissão dentro das ligas, a CBF busca reposicionamento. A entidade discutiu a criação de uma liga unificada, com participação direta na estrutura.
A ideia passa por manter sob controle pontos estratégicos como arbitragem, calendário, fair play financeiro e o STJD.
Nos bastidores, a CBF já iniciou movimentos nesse sentido. Criou um sistema de sustentabilidade financeira e acelerou o processo de profissionalização da arbitragem.
Curiosamente, nem a Libra nem a LFU participaram da reunião. Executivos como Silvio Matos e empresas envolvidas nas negociações ficaram de fora.
A CBF entende que deve tratar diretamente com clubes filiados, não com grupos comerciais.
Mesmo defendendo o protagonismo dos clubes, a entidade não abre mão de ter influência direta na organização do principal campeonato do país.
Próximos passos e impacto no Grêmio
A CBF também apresentou um cronograma para a possível criação da liga:
- Maio a julho: coleta de sugestões dos clubes
- Agosto a setembro: ajustes e aprovação
- Outubro a dezembro: definição do estatuto e acordos comerciais
Durante a apresentação, a entidade usou como referência ligas como Premier League, La Liga e Bundesliga. Todas com receitas muito superiores ao Brasileirão, considerado subvalorizado.
O debate envolve pontos como calendário, marketing, governança, infraestrutura e êxodo de talentos.
Para o Grêmio, o tema vai além dos bastidores. A definição de uma liga unificada pode alterar receitas, calendário e competitividade nas próximas temporadas.
O cenário ainda está em construção. Mas uma coisa já é clara: o futebol brasileiro entrou em uma disputa direta por poder, dinheiro e protagonismo.
