Líder da oposição no Congresso critica Moraes após suspensão da Dosimetria

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O ministro interrompeu a aplicação da lei até que o STF julgue ações que questionam a constitucionalidade da norma

Andressa Anholete/Agência SenadoSenador Izalci Lucas
Segundo o senador, a decisão é uma suspensão da vontade popular

O senador Izalci Lucas (PL-DF), líder da oposição no Congresso, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter suspendido a promulgação da lei da dosimetria neste sábado (9).

Segundo o senador, a decisão é uma suspensão da vontade popular, depois de afirmar que o Parlamento, eleito pelo povo, votou a favor da lei, e que “um único homem, não eleito, apagou essa decisão com uma canetada”.

O texto também diz que a medida é um “atropelo inaceitável às prerrogativas do Poder Legislativo” e uma “inversão perigosa da segurança jurídica”.

Izalci termina argumentando que é urgente uma PEC que limite as decisões monocráticas que suspendem leis aprovadas pelo Parlamento.

Decisão de Moraes

Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria até que a Corte julgue ações que questionam a constitucionalidade da norma.

Na decisão, o ministro afirmou que a existência de ações diretas de inconstitucionalidade contra a Lei da Dosimetria representa um “fato processual novo e relevante”, o que justifica a suspensão da aplicação da norma até que o Supremo conclua o julgamento sobre a constitucionalidade do texto.

A decisão foi publicada neste sábado em resposta a dez pedidos de redução de pena de condenados pelo 8 de Janeiro.

Dessa forma, os condenados terão de aguardar a decisão definitiva da Corte para acessar os benefícios previstos pela lei, como a redução das penas.

Ao analisar os pedidos, Moraes citou que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a federação PSOL-Rede acionaram o Supremo para questionar a constitucionalidade da Lei da Dosimetria.

As ações contestam o trecho da nova legislação que prevê que, nos casos de crimes contra o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado praticados no mesmo contexto, seja aplicada apenas a pena mais grave, sem a soma das punições, como ocorria anteriormente.

Segundo os autores das ações, a mudança pode criar um tratamento mais favorável para crimes relacionados à ruptura institucional, permitindo que condenados por ataques à democracia recebam penas mais brandas do que autores de crimes violentos comuns.

Promulgação

promulgação da norma havia sido anunciada na sexta-feira (8), após o Congresso Nacional derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo argumentava que o texto contrariava o interesse público ao reduzir penas para crimes contra a democracia.

Lei da Dosimetria diminui as penas aplicadas aos condenados por tentativa de golpe de Estado no contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, após a derrota nas eleições de 2022.

Moraes foi relator das ações penais relacionadas aos atos golpistas e responsável pelas condenações dos envolvidos.

Também na sexta-feira, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV) informaram que iriam acionar o STF para contestar a constitucionalidade da nova lei.





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