IPOs bilionários de tecnologia acendem alerta no mercado

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Uma série de aberturas de capital de empresas de tecnologia de mega capitalização pode sinalizar um possível topo do mercado, segundo estrategistas ouvidos pela CNBC. Analistas traçam paralelos com o período da bolha das pontocom, no fim dos anos 1990, diante da movimentação de empresas como SpaceX, OpenAI e Anthropic para estrearem nas bolsas ainda este ano.

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A abertura de capital da SpaceX, confirmada em um documento regulatório divulgado na quinta-feira, é aguardada para 12 de junho e pode se tornar o maior IPO da história. A empresa de Elon Musk busca uma avaliação de US$ 1,75 trilhão na Nasdaq.

Fachada da Starbase, da Spacex
SpaceX teve abertura de capital confirmada nesta semana – Imagem: Findaview/Shutterstock

Enquanto isso, OpenAI e Anthropic também anunciaram planos de abrir capital em 2026. As três companhias ainda não registraram lucro anual, embora a Anthropic seja esperada para apresentar seu primeiro trimestre lucrativo nos próximos resultados financeiros.

Analistas afirmam que os modelos de negócio dessas empresas ainda são pouco transparentes, o que tem levado parte do mercado a recomendar cautela aos investidores interessados nos IPOs.

“Vejo isso como um topo de mercado”, afirmou John Blank, estrategista-chefe de ações da Zacks, ao programa Squawk Box Europe, da CNBC. Segundo ele, grandes IPOs costumam surgir em momentos próximos ao pico do mercado, como aconteceu em 1999 durante a corrida das empresas de internet para abrir capital.

SpaceX acumula prejuízos

A SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no trimestre mais recente, após perdas de US$ 4,94 bilhões em 2025.

A Starlink respondeu por US$ 3,26 bilhões em receita no período, o equivalente a 69% do faturamento total da companhia. Já o negócio espacial teve prejuízo operacional de US$ 619 milhões, enquanto a divisão de inteligência artificial perdeu US$ 2,5 bilhões.

No documento S-1 apresentado ao mercado, a empresa afirmou que possui “histórico de perdas líquidas” e que “pode não alcançar lucratividade no futuro”.

A SpaceX também destacou que parte relevante de seu valor depende do desenvolvimento de tecnologias consideradas “novas e não testadas”. Segundo a companhia, será necessário manter elevados investimentos ao longo de vários anos antes que produtos e serviços ligados à IA se tornem lucrativos.


Dan Coatsworth, chefe de mercados da AJ Bell, disse que ainda se sabe pouco sobre as finanças da empresa devido ao seu status privado e ao controle de Elon Musk sobre 85% dos direitos de voto.

O analista chamou atenção para o valuation pretendido pela SpaceX. Segundo ele, uma avaliação de US$ 1,75 trilhão colocaria a companhia negociando a cerca de 67 vezes suas vendas, aproximadamente três vezes o múltiplo da Nvidia com base no último ano fiscal.

IPOs de empresas de IA levantam dúvidas no mercado

OpenAI e Anthropic também anunciaram planos de abrir capital ainda em 2026, ampliando o movimento de grandes empresas de tecnologia rumo aos mercados públicos. Apesar do interesse dos investidores, as duas companhias seguem sem registrar lucro anual, o que tem alimentado dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do setor de inteligência artificial.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
IPOs de gigantes da inteligência artificial também causam dúvidas em analistas – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

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A SpaceX considera a OpenAI uma das principais rivais na corrida pela liderança em IA. A empresa comandada por Sam Altman, assim como a Anthropic, ainda enfrenta questionamentos sobre a capacidade de transformar crescimento acelerado em rentabilidade.

“Se OpenAI e Anthropic não conseguem ganhar dinheiro, tudo isso desmorona”, afirmou William de Gale, gestor de portfólio da BlueBox Asset Management, à CNBC.

Segundo ele, um eventual IPO da OpenAI poderia expor fragilidades financeiras da companhia ao mercado. Para o gestor, a divulgação mais detalhada dos números dessas empresas pode acelerar um limite para o atual ciclo de crescimento do setor.

O Deutsche Bank também demonstrou preocupação com a transparência dessas companhias. Em nota publicada na quinta-feira, o estrategista Adrian Cox afirmou que ainda será preciso observar como os mercados públicos irão avaliar empresas como a OpenAI quando elas divulgarem seus balanços financeiros e explicarem melhor a economia de seus modelos de negócio.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).




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