Irã rebate nova proposta dos EUA e endurece controle sobre Estreito de Ormuz

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Teerã considera exigências de Washington ‘excessivas’ e cria novo órgão para monitorar a navegação e o tráfego de cabos submarinos na rota estratégica

ATTA KENARE / AFPBandeira do Irã tremula em um mastro alto sobre arranha-céus no norte de Teerã, em 12 de maio de 2026
Bandeira do Irã tremula em um mastro alto sobre arranha-céus no norte de Teerã, em 12 de maio de 2026

O Irã afirmou, nesta segunda-feira (18), ter respondido a uma nova proposta dos Estados Unidos para o fim da guerra. Segundo Teerã, as trocas diplomáticas continuam, embora a imprensa estatal iraniana classifique as recentes exigências de Washington como “excessivas”.

Os dois países têm trocado propostas na tentativa de encerrar o conflito — iniciado por EUA e Israel em 28 de fevereiro —, mas realizaram apenas uma rodada de negociações diretas em meio a um frágil cessar-fogo.

“Nossas preocupações já foram transmitidas ao lado americano”, declarou Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, em coletiva de imprensa. Ele destacou que as tratativas seguem com a mediação do Paquistão.

Baqaei reiterou as contrapartidas exigidas pelo Irã, que incluem a liberação de ativos congelados no exterior e o fim de sanções históricas. “Esses pontos têm sido firmemente defendidos pela nossa equipe em todas as rodadas”, afirmou.

O porta-voz também defendeu o pagamento de reparações de guerra por parte dos EUA, classificando o conflito como “ilegal e infundado”, e alertou que o país está “totalmente preparado para qualquer eventualidade” caso os confrontos militares sejam retomados.

Nos bastidores, as posições seguem distantes. No domingo (17), a agência de notícias iraniana Fars revelou que Washington apresentou uma lista de cinco exigências, incluindo a restrição do programa nuclear iraniano a apenas uma instalação e a transferência de seu estoque de urânio altamente enriquecido para os EUA.

Em contrapartida, os americanos teriam se recusado a liberar os fundos iranianos bloqueados ou a pagar indenizações, condicionando o fim das hostilidades ao engajamento de Teerã em negociações formais de paz.

A agência de notícias Mehr endossou as críticas, afirmando que os Estados Unidos buscam “obter na mesa de negociação concessões que não conseguiram na guerra, o que levará a um impasse”.

Apesar da retórica dura, há sinais de possíveis flexibilizações. A agência Tasnim, citando fontes próximas aos negociadores, informou nesta segunda-feira que, ao contrário das minutas anteriores, o novo texto americano concorda em suspender as sanções sobre o petróleo iraniano durante o período de diálogo.

A contraproposta enviada por Teerã na semana passada pedia o fim da guerra em todas as frentes — incluindo a campanha militar israelense no Líbano —, além da suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril.

Controle sobre o Estreito de Ormuz

Um dos pontos mais sensíveis das negociações é o controle do estratégico Estreito de Ormuz, importante rota de escoamento global de energia que o Irã mantém praticamente fechada desde o início do conflito. Teerã deixou claro que pretende continuar administrando a passagem.

Para consolidar esse domínio, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou nesta segunda-feira a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA). Em suas redes sociais, o órgão recém-criado declarou-se a “autoridade legal e oficial da República Islâmica responsável pela gestão do trânsito” na região.

A PGSA alertou que a navegação na área jurisdicional designada exige “total coordenação” e que qualquer travessia não autorizada será considerada ilegal. Segundo a emissora estatal Press TV, os navios que passarem pelo estreito receberão instruções de tráfego por e-mail.

Ameaça a cabos submarinos

A escalada no controle estratégico também deve afetar a infraestrutura global de telecomunicações. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) sinalizou que os cabos submarinos de fibra óptica que atravessam o Estreito de Ormuz poderão ser submetidos a um sistema de licenciamento.

Segundo o braço ideológico das Forças Armadas, o país exerce “soberania absoluta sobre o leito e o subsolo de seu mar territorial”, o que justificaria a exigência de autorizações formais.

Paralelamente às negociações diplomáticas, as tensões militares continuam ativas. A IRGC informou ter atacado, também nesta segunda-feira, grupos armados na cidade iraniana de Baneh, na província do Curdistão, perto da fronteira com o Iraque.

Em comunicado divulgado pela agência ISNA, a Guarda alegou que militantes baseados no norte iraquiano atuavam “em nome dos EUA e do regime sionista [Israel]” para contrabandear um grande carregamento de armas e munições americanas para o território iraniano.





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