Funcionários da Meta questionam política de monitoramento para treinar IA

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Cliques e movimentos dos mouses dos 78 mil funcionários da empresa são usados para desenvolvimento de IA

Logo da Meta em um smartphone
Meta – Imagem: jackpress/Shutterstock

A Meta enfrenta uma crise interna após anunciar que passará a monitorar cada clique e movimento do mouse de seus 78 mil funcionários para treinar inteligência artificial. A medida, que não permite que o trabalhador escolha ficar de fora (opt-out), gerou uma revolta imediata nas redes corporativas da empresa, com empregados classificando a ação como “desmoralizante” e “insensível”.

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O programa de rastreamento ocorre em um momento de fragilidade na companhia. Enquanto Mark Zuckerberg direciona bilhões de dólares para transformar a Meta em uma organização de IA, a empresa confirmou a demissão de 10% do seu quadro de funcionários (cerca de 8 mil pessoas) para compensar esses gastos. O desligamento está marcado para o dia 20 de maio, criando um cenário de ansiedade e suspeita entre as equipes.

Logo da Meta em um smartphone
Meta – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Monitoramento e avaliação de desempenho

A coleta de dados captura tudo o que o funcionário digita ou vê na tela. Segundo o CTO Andrew Bosworth, o objetivo é ensinar aos modelos de IA como humanos resolvem tarefas complexas no computador. No entanto, o uso da tecnologia já se tornou métrica de trabalho: a Meta passou a incluir a adoção de ferramentas de IA nas avaliações de desempenho e criou painéis para monitorar quem utiliza mais o sistema.

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O impacto no ambiente de trabalho

A reação negativa dos funcionários reflete o receio de que eles estejam, na prática, treinando seus próprios substitutos. Relatos internos indicam que trabalhadores estão criando “agentes de IA” apenas para elevar seus números nos painéis de monitoramento, enquanto outros buscam ativamente novas oportunidades de emprego fora da empresa.

Portais internos de contagem regressiva para as demissões e memes niilistas circulam entre os engenheiros, sinalizando um racha na cultura organizacional. A Meta, por sua vez, afirma que existem salvaguardas para proteger conteúdos sensíveis e que os dados não são usados para vigilância individual, mas apenas para o desenvolvimento de produtos.


Via New York Times

Daniel Junqueira

Daniel Junqueira

Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.


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