Trabalhadores demitidos da Oracle tentaram negociar melhores pacotes de indenização, mas a gigante da tecnologia recusou os pedidos
As demissões em massa na Oracle, que atingiram entre 20 e 30 mil pessoas no final de março, trouxeram à tona uma discussão sobre os limites dos pacotes de desligamento no setor de tecnologia. Diferente de outras gigantes do mercado, a empresa adotou uma postura rígida, negando-se a negociar termos com os ex-funcionários e cortando benefícios que são comuns em desligamentos desse porte.
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O ponto de maior conflito envolve as ações (RSUs), que compõem boa parte da remuneração dos profissionais de tecnologia. A Oracle optou por não antecipar o cronograma de ações que estavam perto de vencer; quem foi demitido perdeu o direito a qualquer papel que não estivesse liberado na data do corte. Há relatos de funcionários veteranos que deixaram de receber até US$ 1 milhão em ações que venceriam em apenas quatro meses.

Outra questão central foi o uso da classificação de trabalho remoto para evitar leis de proteção ao trabalhador. A lei norte-americana (WARN Act) exige que empresas avisem sobre demissões em massa com dois meses de antecedência quando o corte afeta 50 ou mais pessoas em um mesmo local.
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Ao registrar funcionários como remotos — mesmo aqueles que moravam perto de escritórios e trabalhavam em regime híbrido —, a Oracle conseguiu contornar essa exigência em estados com regras menos rigorosas. Além disso, para quem estava protegido pela lei, a empresa descontou o valor do aviso prévio do cálculo final da indenização, em vez de somar os benefícios.
A rigidez da Oracle chamou a atenção quando comparada a outras empresas que também realizaram cortes recentemente:
- Meta: Ofereceu 16 semanas de salário base, mais duas semanas por ano trabalhado.
- Cloudflare: Garantiu o pagamento de salários até o fim de 2026 e antecipou o vencimento de ações.
- Microsoft: Acelerou o cronograma de ações para funcionários veteranos.
A tentativa de 90 ex-funcionários de negociar coletivamente através de uma petição foi rejeitada pela companhia. A Oracle não comentou sobre os critérios de classificação de funcionários ou sobre os termos dos pacotes oferecidos.
Fonte: techcrunch.com
Daniel Junqueira
Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.
