Neste domingo (31), às 5h45 da manhã (pelo horário de Brasília), a Lua atingirá a fase cheia pela segunda vez este mês. Quando isso acontece, ela é chamada de Lua Azul. Apesar do nome, isso não significa que o satélite mude de cor.
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Esse fenômeno ocorre, em média, a cada dois ou três anos. Segundo o astrônomo Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e parceiro do Observatório Nacional (ON), isso é possível porque o intervalo entre duas luas cheias dura cerca de 29 dias e meio, enquanto os meses do calendário possuem entre 28 e 31 dias. Dessa forma, quando a primeira Lua Cheia ocorre nos primeiros dias do mês, o ciclo lunar pode se completar novamente antes que o mês termine.

Por que ‘microlua’
Além de ser uma Lua Azul, ela também estará quase no ponto mais distante da Terra em sua órbita atual – o chamado apogeu. Quando a fase cheia coincide ou acontece próxima a esse momento, o fenômeno recebe o nome de microlua.
Nesse caso, de acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, o apogeu será atingido algumas horas mais tarde, no início da madrugada de segunda-feira (1), à 1h32, quando a Lua estará a mais de 406 mil km da Terra. Essa distância é maior que a média habitual, fazendo desta a menor microlua de 2026.

A distância da Lua em relação à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – é ligeiramente oval, traçando um caminho chamado elipse. À medida que ela atravessa esse caminho elíptico ao redor do nosso planeta a cada mês, sua distância varia entre 356.500 km, no perigeu (ponto mais próximo) e 406.700 km, no apogeu.
Mesmo sendo considerada a menor lua cheia do ano, a diferença dificilmente será percebida pela maioria das pessoas. Comparada a uma Superlua (quando a fase cheia inicia no perigeu), a microlua pode parecer cerca de 12% menor e até 25% menos brilhante. No entanto, sem uma comparação direta entre os dois fenômenos, o olho humano não nota essa mudança.
Como observar a microlua
O fenômeno já podia ser observado ainda na noite de sábado (30), durante o nascer da Lua, que surgiu no horizonte praticamente no mesmo horário em que o Sol se põe e permaneceu visível durante toda a madrugada.
O momento mais favorável para fotografias costuma ocorrer justamente quando a Lua aparece próxima ao horizonte. Nessa situação, acontece a chamada “ilusão lunar”, um efeito visual que faz o cérebro humano interpretar a Lua como maior do que realmente é.
Especialistas recomendam procurar locais com horizonte aberto e poucos obstáculos visuais. Paisagens com árvores, prédios ou montanhas podem ajudar na composição das fotos. Para quem pretende usar o celular, uma dica importante é diminuir manualmente a exposição da câmera para evitar excesso de brilho e perda de detalhes na imagem.
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Quando a Lua fica realmente azul
Apesar do nome curioso, a Lua Azul não tem relação com a cor. O termo surgiu a partir de antigas referências culturais e acabou sendo incorporado à astronomia popular ao longo do tempo.
Segundo o ON, a expressão teria aparecido em obras britânicas do século XIX que descreviam Luas azuladas observadas após grandes erupções vulcânicas. Nessas situações, partículas lançadas na atmosfera alteravam a forma como a luz era espalhada, criando um efeito visual raro.
Mais tarde, fazendeiros nos EUA passaram a usar o termo para identificar uma 13ª Lua Cheia dentro do mesmo ano. Décadas depois, um erro de interpretação em uma revista especializada acabou popularizando o uso atual da expressão para definir a segunda Lua Cheia de um mesmo mês.
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Embora rara, uma Lua realmente azul pode acontecer em situações atmosféricas extremas, como grandes incêndios florestais ou fortes erupções vulcânicas. Um dos casos mais famosos ocorreu após a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883, quando partículas espalhadas na atmosfera fizeram a Lua adquirir tons azulados em diferentes partes do mundo.
