Fundo discreto pode lucrar bilhões com entrada da SpaceX na bolsa após aposta precoce

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Um fundo de hedge discreto de Nova York está prestes a colher os frutos de uma aposta feita há sete anos. A Darsana Capital Partners, que raramente chama a atenção, investiu na SpaceX em 2019, quando a empresa de Elon Musk era avaliada em cerca de US$ 30 bilhões. Agora, com a oferta pública inicial (IPO) iminente, a participação do fundo pode gerar ganhos superiores a US$ 10 bilhões, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. A informação foi revelada pelo The Wall Street Journal.

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A valorização da SpaceX tem sido meteórica. Na última rodada de financiamento, em dezembro, a empresa já valia aproximadamente US$ 800 bilhões. As expectativas para o IPO, que pode ocorrer já no próximo mês, giram em torno de uma avaliação de US$ 1,5 trilhão ou mais. Com isso, os ganhos da Darsana desde dezembro somariam vários bilhões de dólares, segundo as mesmas fontes.

Um investimento concentrado

O sucesso da SpaceX fez com que a participação do fundo saltasse para quase 60% de seus ativos sob gestão, que totalizam cerca de US$ 15 bilhões. Desse montante, aproximadamente US$ 8,5 bilhões estão na fabricante de foguetes. O valor é muito superior ao portfólio público da Darsana em ações negociadas em bolsa, que somava US$ 4,7 bilhões em 31 de março.

A Darsana foi fundada em 2014 por Anand Desai, ex-sócio da Eton Park Capital Management. O nome do fundo vem do sânscrito e significa “ver a verdadeira natureza da realidade”. A empresa não tem foco setorial e prefere manter investimentos por vários anos. Seu interesse pela SpaceX surgiu quando um de seus sócios, Dan Irom, pesquisava empresas de satélites e acabou se reunindo com a companhia privada. A SpaceX, então, convidou o fundo para investir.

Apostas indiretas e concentração

Desde então, a Darsana nunca vendeu nenhuma ação da SpaceX. O fundo também investiu em outros negócios que acabaram fechando acordos com a empresa de Musk, recebendo ações adicionais como resultado. Além disso, aplicou recursos na plataforma X (antigo Twitter) após Musk torná-la privada e antes da fusão com a xAI, que posteriormente se incorporou à SpaceX em um negócio totalmente em ações no início deste ano.

A maior participação pública divulgada pela Darsana em março era a EchoStar, empresa de satélites e telecomunicações que licenciou parte de seu espectro para a SpaceX em um acordo de US$ 17 bilhões. Entre os clientes do fundo estão os fundos patrimoniais das universidades de Yale e da Pensilvânia, além de clientes da Morgan Stanley Wealth Management.

Fachada da Starbase, da Spacex
SpaceX é a empresa espacial de Elon Musk – Imagem: Findaview/Shutterstock


Outros acertos e riscos

A Darsana não é estranha a investimentos de risco. Já teve participações na DoorDash antes de sua abertura de capital e na fabricante de cigarros eletrônicos Juul Labs. Em dezembro, liderou uma rodada de US$ 300 milhões para a Boom Supersonic, startup aeroespacial que agora fabrica turbinas para data centers de IA.

Outro fundo de hedge, a D1 Capital Partners, de Daniel Sundheim, também deve lucrar bilhões com o IPO da SpaceX. A D1 teria ganhos estimados em US$ 9 bilhões com ações adquiridas por cerca de US$ 600 milhões ao longo dos anos.

A concentração da Darsana na SpaceX é um risco, mas, por ora, a aposta precoce se revelou um dos negócios mais lucrativos da história recente do venture capital.

Lucas Soares

Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.




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