SAF do Botafogo entra em recuperação judicial e expõe rombo superior a R$ 2,5 bilhões | Torcedores

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SAF do Botafogo entra em recuperação judicial e expõe rombo superior a R$ 2,5 bilhões

John Textor vive situação complicada (Crédito: Wagner Meier/Getty Images)

A recuperação judicial da SAF do Botafogo foi oficialmente aceita pela Justiça do Rio de Janeiro, marcando um dos capítulos mais delicados da história recente do clube carioca.

O juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, deferiu a decisão após a SAF alvinegra protocolar o pedido.

O processo acontece em meio a uma grave crise financeira envolvendo a estrutura da SAF e fortes críticas à gestão de John Textor e da Eagle Football.

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Justiça aceita pedido da SAF do Botafogo

Na decisão judicial, o magistrado autorizou o início formal do processo de reorganização financeira da companhia:

— Por tais fundamentos, DEFIRO a emenda da inicial e o processamento da recuperação judicial do requerente, e, nos termos do artigo 52, da Lei nº 11.101/05, passo a analisar os pedidos, de forma específica, constantes no presente requerimento.

A recuperação judicial do Botafogo busca proteger o funcionamento da SAF enquanto o clube tenta renegociar dívidas e reorganizar sua estrutura financeira.

Portanto, segundo documentos apresentados à Justiça, o passivo sujeito ao processo gira em torno de R$ 1,286 bilhão. Já a dívida total supera R$ 2,5 bilhões.

Clube cita risco de colapso operacional

Na nota oficial divulgada pelo clube, a SAF afirmou ter tomado a decisão diante de um “grave cenário financeiro”.

O texto menciona:

  • riscos de transfer ban aplicados pela FIFA;
  • bloqueios financeiros;
  • vencimentos antecipados de obrigações;
  • severas restrições de caixa.

De acordo com o clube, o cenário passou a comprometer diretamente a operação cotidiana da SAF.

A nota afirma:

— A decisão foi tomada diante do grave cenário financeiro enfrentado pela companhia, agravado por sucessivos bloqueios, riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa que passaram a comprometer a própria operação cotidiana do clube.

Botafogo critica publicamente John Textor

Entretanto, pela primeira vez desde o agravamento da crise, o Botafogo direcionou críticas públicas à gestão de John Textor. No comunicado oficial, o clube afirmou que houve “absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” da SAF.

Além disso, a nota também aponta forte processo de descapitalização dentro da estrutura da Eagle Football. Segundo o documento, mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao clube carioca.

Enquanto isso, outros ativos do grupo teriam recebido investimentos milionários. O texto cita, inclusive, um aporte aproximado de US$ 90 milhões realizado recentemente no Lyon.

Além de John Textor, a Eagle Football foi duramente criticada no comunicado oficial.

O clube afirma que:

  • faltaram aportes financeiros;
  • não houve suporte operacional adequado;
  • a SAF ficou sem injeção relevante de recursos por mais de um ano.

Segundo o texto:

— A Eagle Football, sua administração e seus representantes diretos tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira enfrentada pela SAF Botafogo.

A SAF também afirma que os responsáveis pela estrutura financeira do grupo permaneceram entre os principais beneficiários enquanto o clube sofria agravamento da crise.

Mudanças na gestão da SAF

Porém, em meio ao avanço da crise institucional, a SAF realizou mudanças internas importantes. Durante Assembleia Geral Extraordinária realizada nesta quinta-feira, Eduardo Iglesias foi nomeado como novo diretor-geral da companhia.

Ele substitui Durcesio Mello, que ocupava o cargo de forma interina após o afastamento de John Textor. O empresário foi retirado da gestão da SAF em 23 de abril por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas.

Recuperação judicial busca reorganizar dívidas

O clube argumenta que a recuperação judicial do Botafogo é necessária para:

  • preservar atividades esportivas;
  • proteger empregos;
  • garantir negociações com credores;
  • manter a competitividade do futebol;
  • assegurar estabilidade jurídica.

A medida também permitirá a elaboração oficial de um plano de recuperação, que será apresentado aos credores conforme previsto na legislação.

SAF tenta evitar punições esportivas maiores

Outro ponto destacado pelo clube envolve as punições esportivas impostas pela FIFA. De acordo com o comunicado, a medida judicial tornou-se indispensável para reduzir impactos relacionados aos transfer bans. O clube afirmou:

— A própria FIFA esclareceu que a tutela cautelar anteriormente deferida não produzia os efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da Recuperação Judicial.

Com isso, a SAF entende que o avanço para a recuperação judicial era fundamental para proteger a operação esportiva e evitar prejuízos ainda maiores.



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