Os EUA imprimiram uma nota de um trilhão de dólares? Relembre a famosa nota de Os Simpsons

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Não, os Estados Unidos nunca imprimiram uma nota de um trilhão de dólares. Essa ideia existe apenas na ficção, e quem tornou essa nota popular foi um episódio de Os Simpsons exibido em 1998. O que começou como uma piada sobre impostos e o programa de apoio dos EUA na Europa pós-guerra, com uma visita na Cuba comunista, acabou virando um dos momentos mais lembrados da temporada 9, misturando fatos históricos reais com sátira pura.

Obviamente, com Homer Simpson como o centro da situação. O episódio O Problema com os Trilhões (The Trouble with Trillions) é o 20º episódio da 9ª temporada e foi exibido em 1998. E entra nas questões envolvendo impostos, igual um outro que coloca Krusty na mira do leão.

Mas por aqui, tudo começa com Homer Simpson enrolando para declarar o Imposto de Renda. Na verdade, ele nem fez pois achava que a declaração do ano anterior era suficiente. Mas ao descobrir, faltando duas horas para o fim da declaração, que não havia feito, ele inventou informações, preencheu tudo de qualquer jeito e foi para a agência do correio da cidade.

Ele entrega a papelada de última hora, cheia de erros, e como literalmente jogou o pacote, a declaração caiu na cesta da malha fina da Receita Federal (IRS, na sigla em inglês). Por causa disso, ele foi pego pelo governo, mas ao invés de ir preso, Homer aceita trabalhar como informante disfarçado para o governo. Sua missão principal era recuperar uma nota de um trilhão de dólares que Mr. Burns supostamente guardou para si mesmo.

Os agentes federais contam a Homer que, em 1945, o presidente Harry S. Truman mandou imprimir essa nota gigantesca para ajudar na reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Mr. Burns, descrito como o homem mais rico e confiável dos EUA na época, recebeu a tarefa de entregar o dinheiro.

Só que a nota nunca chegou ao destino. Já em missão, Homer infiltra a mansão de Burns, descobre que ele ostenta uma cópia em seu “museu patriota”, guarda a original na carteira e, em vez de entregá-lo aos oficiais, decide ajudar o bilionário a fugir.

Os dois (mais o assistente Smithers, que é “convidado” para ajudar) acabam voando para Cuba com a intenção de comprar a ilha inteira de Fidel Castro. Castro, que no desenho estava prestes a dizer para os EUA que iria encerrar o governo comunista na ilha, recebe a visita dos três, pede para ver a nota, recebe-a nas mãos e simplesmente responde “Devolver o quê?” quando Burns pede de volta.

O episódio termina com os três à deriva em uma jangada improvisada, com Burns refletindo sobre ter roubado a nota do governo, fugido do país, entregado ela para a Cuba comunista e depois ter que “pagar o preço pela liberdade”, subornando um júri, claro.

A história brinca com três temas reais que embora distintos, conversam bem entre si no episódio: o Imposto de Renda, a ajuda americana para a Europa pós-guerra e as relações com Cuba.

O Imposto de Renda federal nos EUA, motivo da detenção de Homer, existe desde 1913, graças à 16ª Emenda à Constituição, que permitiu ao Congresso cobrar impostos sobre rendas sem precisar dividir entre os estados. Antes disso, o governo dependia principalmente de tarifas e impostos indiretos com a maior autonomia dos estados da União.

O episódio usa o relaxo de Homer para mostrar como existe muita gente que não declara os impostos com a precisão adequada (Bart serviu no Vietnã segundo a declaração de Homer), além de, em forma exagerada, mostrar que o governo leva muito a sério esta questão.

O que levou o patriarca Simpson a investigar Burns e conhecer mais sobre a reconstrução da Europa. O episódio cita o Plano Marshall, que foi proposto pelo secretário de Estado George C. Marshall em 1947 e assinado por Truman em 1948. A Lei de Cooperação Econômica foi o programa destinou cerca de 13 bilhões de dólares (equivalente a mais de 150 bilhões de dólares atualmente) para 16 países da Europa Ocidental.

O dinheiro veio do orçamento aprovado pelo Congresso, como o Lend-Lease, que forneceu ajuda econômico e militar para países aliados na guerra, e não de uma única nota impressa. O objetivo era reconstruir economias destruídas pela guerra, evitar o avanço do comunismo, que também buscava influência do leste para o oeste, e abrir mercados para produtos americanos. Obviamente, não existe uma nota exclusiva para este fato, e não existe uma nota oficial de um trilhão de dólares.

Na vida real, o maior valor de cédula já produzido pelo Bureau of Engraving and Printing, que faz as notas dos EUA, foi a nota de 100 mil dólares (Gold Certificate, série 1934), usada apenas em transações entre bancos centrais e lastreada em ouro.

Essas cédulas de alto valor serviam para facilitar negócios envolvendo o ouro, e obviamente hoje em dia não são necessários para tal fim, servindo atualmente como itens de coleção. Nunca houve, em nenhum momento da história americana, uma nota de um trilhão de dólares. O episódio exagerou tudo em nome do humor: a nota fictícia em um valor absurdo, a foto de Truman fazendo polegar para cima, e a “grosseria” dos europeus com os americanos que nasceu justamente do sumiço do dinheiro.

Fidel Castro entra na trama depois da fuga de Homer e Burns porque em 1998, ele era o líder de Cuba após a revolução da ilha. No cargo de presidente, ele comandou a política da ilha e recebeu os americanos interessados em “comprar” o lugar.

Em 1959, ele assumiu o poder em Cuba depois de derrubar Fulgencio Batista, e implementar o regime comunista com apoio da URSS em plena guerra fria. No episódio, Mr. Burns descobre em pleno voo que Batista não manda mais no país, o que mostra que ele, preso no passado (igual quando quis montar um time de baseball apenas com jogadores que jogaram nos anos 1920), achava que iria negociar com o mandatário pré-revolução, em tempos nos quais os EUA tinham influência e muitos magnatas na ilha.

Por trás das câmeras, a ideia da nota de um trilhão surgiu de forma simples. O irmão do produtor executivo Mike Scully, chamado Brian, sugeriu o conceito quando a equipe precisava de uma história nova. O roteirista Ian Maxtone-Graham transformou a sugestão no episódio, que mistura espionagem, fuga e sátiras ao governo dos EUA e suas relações com impostos e relações internacionais.

O que resultou em um exagero muito divertido, no padrão dos episódios da era de ouro de Os Simpsons. O Plano Marshall realmente existiu e ajudou a estabilizar a Europa, mas sem a nota de trilhão. O Imposto de Renda continua sendo uma dor de cabeça para milhões de contribuintes, especialmente para quem coloca na declaração que seu filho de 10 anos serviu no Vietnã. E a Cuba de Fidel Castro foi “salva” justo com o dinheiro que deveria ter sido entregue aos franceses, italianos ou ingleses, entre outros povos europeus.

Os Simpsons pegou esses elementos, exagerou até o absurdo com uma nota que nunca existiu e transformou tudo em comédia que ainda faz sentido décadas depois, relembrando a época em que os episódios do seriado eram atemporais, fazendo sentido década depois, ao invés da “busca de tendências” que cria episódios datados atuais de forma tão rápida.

Se você nunca viu o episódio “The Trouble with Trillions”, vale a pena assistir: ele explica, de forma leve, por que certas discussões sobre dinheiro público, impostos e relações internacionais continuam tão atuais.

Fontes consultadas:

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Junior Candido

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