Análise Arkade – Directive 8020 busca ser mais do que um “filme jogável” em novo terror sci-fi da Supermassive

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Directive 8020, o mais recente capítulo da série The Dark Pictures Anthology desenvolvido pela Supermassive Games, coloca o jogador no comando de uma tripulação em uma nave espacial chamada Cassiopeia, no bom e velho jeitão Supermassive de se jogar games.

O ano é 2069 e a humanidade envia a nave para o planeta Tau Ceti f, a 12 anos-luz da Terra, em busca de um novo lar viável, baseado nas atuais buscas por novos locais para habitar como a corrida para chegar a Marte.

Tudo muda quando um asteroide atinge a nave e uma criatura alienígena capaz de imitar humanos começa a se espalhar como uma pandemia, gerando paranoia e tensão entre os tripulantes. O jogo mistura narrativa cinematográfica com elementos de survival horror, como jornadas por corredores escuros, algumas saídas de ar apertadas e momentos de stealth para evitar o perigo.

Disponível a partir de 12 de maio de 2026 para PS5, Xbox Series X/S e PC, o título segue a linha da Supermassive Games de entregar histórias interativas onde as decisões do jogador realmente importam. O foco segue em narrativas ramificadas, mas adiciona leves camadas de tensão através de exploração em ambientes opressores em uma nave problemática, com sequências de furtividade que exigem calma para evitar o pior.

As ramificações que mudam os destinos

O destaque de Directive 8020 é o sistema de escolhas, especialidade da casa que a Supermassive Games refinou com base em seus jogos anteriores e com a ideia de evoluir jogos semelhantes, como os da Quantic Dream (Heavy Rain e Detroit: Become Human, por exemplo).

Cada decisão — desde diálogos até ações em momentos de pressão — abre caminhos diferentes, podendo levar a mortes, sobrevivências ou reviravoltas na trama, assim como sucessos em QTEs ou no stealth. Mas para quem quer explorar mais a história, pode contar com o Turning Point: um menu que permite voltar a pontos específicos de decisão ou morte e testar outros rumos sem precisar recomeçar o jogo inteiro. Ou zerar o jogo para desbloquear, como em outros títulos.

Uma escolha aparentemente pequena, como intervir ou não em uma discussão tensa, pode transformar um tripulante em aliado fiel ou em ameaça mortal. O Turning Point transforma isso em algo viciante: você volta, muda uma única decisão e vê o dominó cair de formas completamente diferentes.

Isso lembra os jogos da Quantic Dream, onde as escolhas criam narrativas paralelas, mas a Supermassive Games vai além ao integrar o sistema de forma mais fluida, evitando que o jogador perca o ritmo. Comparado aos títulos anteriores da própria série, como Man of Medan ou The Devil in Me, Directive 8020 parece mais limpo e menos dependente de elementos repetitivos, priorizando mais a história e suas diferentes formas de avanço.

A imitação perfeita da criatura transforma a questão da decisão em algo ainda mais cheio de tensão e medo: você começa a duvidar até dos companheiros que salvou minutos antes. Isso traz o survival horror para algo diferente dos elementos comuns de terror entrega momentos de tensão genuína, especialmente quando decisões de diálogo podem revelar (ou esconder) quem já foi substituído.

Exploração, stealth e um gameplay que busca ser mais do que um “filme jogável”

O gameplay alterna entre cutscenes interativas, exploração em terceira pessoa e sequências em primeira pessoa dentro de dutos de ventilação. A nave Cassiopeia é cheia de corredores mal iluminados, salas para variados fins para sua tripulação e túneis de manutenção que criam um clima de isolamento. O scanner e uma lanterna ajudam a destacar objetos no escuro, mas o jogador precisa se mover com cuidado para não chamar atenção do elemento de perseguição durante a história.

O stealth não envolve combate direto, já que seus personagens não lutam e nem contam com armas, mas são acrescentados ao game para dar ao personagem a sensação de se esconder, rastejar e desviar das ameaças. Esses trechos geram tensão, e são bem vindos em jogos do gênero que buscam evoluir a parte “gameplay” durante a história interativa.

E com a ideia de trazer um pouco de survival horror ao game, além do stealth e da sensação de tensão no game, também temos documentos, diários em vídeo e registros espalhados pela nave, que revelam detalhes sobre o passado dos personagens, abrem espaço para pequenas explorações, e ainda garantem, dependendo do que for encontrado, expandir o próprio enredo.

Salvar tripulantes específicos depende de ações pontuais, como escolher o momento certo para intervir ou encontrar um item escondido. Quem busca 100% da história vai encontrar várias mortes alternativas (são 44 no total) e finais diferentes. O que rende um gameplay com forte fator replay e que não vai entregar toda a história em poucas horas.

Uma nave, uma ameaça e uma tripulação no meio do caos

Directive 8020 dura cerca de oito horas em uma primeira jogada, com capítulos que duram cerca de 40 minutos a uma hora, mas o replay é alto graças ao Turning Point e às múltiplas rotas, além da exploração por fases que vai te colocar para buscar senhas e abrir locais fechados, ver vídeos e ler documentos espalhados pelos cenários.

A trilha sonora e o design de som ajudam a construir o desconforto, com rangidos mecânicos e o silêncio do espaço. Os visuais mostram a nave se transformando conforme a criatura avança, com toques de terror no melhor estilo Alien, mas com uma direção mais focada para a tensão e menos para o gore.

É um game que foi feito para quem joga games da Supermassive, e cumpre muito bem este objetivo. Quem não está acostumado e resolver conhecer, saiba que o jogo é exatamente o que ele se propõe a ser: um “filme interativo”, onde o jogador escreve o roteiro com suas ações e apesar de pequenos momentos de gameplay “clássico”, ainda depende muito de um ritmo específico, sequências de QTE e muitas conversas, que podem tirar o fator “game” de quem gosta de algo mais dinâmico.

Mas se você estiver de coração aberto, saiba que mesmo com um ritmo mais lento e menos coisas para se fazer do que em outros jogos, Directive 8020 tem uma história interessante que fica ainda mais legal tendo o seu toque no enredo, já que as decisões que você toma é o que dita o rumo dos personagens. Não é tão dinâmico quanto os atuais games Resident Evil, mas pode agradar, ao seu modo, quem busca novas histórias de terror.

Se você curte jogos da Supermassive Games, títulos da Quantic Dream ou histórias de terror no espaço como as de Alien, Directive 8020 vale a conferida. O sistema de ramificações e a exploração recompensam quem gosta de “filmes interativos”, mas gostariam de um algo a mais ao influenciar o destino da tripulação.

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Junior Candido

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