A Marinha Francesa está se deslocando para o sul do Canal de Suez, em direção ao Mar Vermelho, em preparação para uma possível missão futura como parte de um plano franco-britânico para o Estreito de Ormuz, de acordo com um comunicado das Forças Armadas da França nesta quarta-feira, 6.
O reposicionamento para o sul do porta-aviões nuclear Charles de Gaulle e seus navios de escolta é a etapa mais recente de um posicionamento no Oriente Médio, anunciado inicialmente pelo presidente francês Emmanuel Macron em um pronunciamento televisionado em 3 de março, um dia antes de o Irã fechar o estreito.
A manobra para o sul de Suez coloca o único porta-aviões francês mais perto do corredor marítimo estratégico do Golfo Pérsico, por onde normalmente transita um quinto do petróleo mundial e onde o Irã efetivamente interrompeu o tráfego comercial desde o início de março.
“Ir para o sul de Suez é uma novidade para nós”, disse o coronel Guillaume Vernet, porta-voz do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Francesas, à Associated Press. “Geograficamente, fica mais perto do Estreito de Ormuz e, portanto, nos permitirá reagir mais rapidamente, assim que as condições forem atendidas.”
No entanto, Vernet enfatizou que a coalizão mais ampla do Estreito de Ormuz – formada pela França, Reino Unido e mais de 50 nações – não começará a operar até que dois fatores sejam superados: a ameaça à navegação precisa diminuir e a indústria marítima precisa estar suficientemente segura para usar o estreito. Mesmo assim, disse ele, qualquer operação exigiria o acordo dos países vizinhos.
A operação francesa é distinta do “Projeto Liberdade”, a missão de escolta dos EUA, que já atraiu fogo iraniano e ameaças ao cessar-fogo de 8 de abril. “É uma missão distinta da missão dos EUA”, disse Vernet, classificando o plano franco-britânico como defensivo e consistente com o direito internacional.
Planejamento
Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer receberam mais de 50 países em uma cúpula em Paris, no dia 16 de abril, e militares de mais de 30 nações finalizaram os detalhes operacionais em uma conferência organizada pelo Reino Unido, entre os dias 22 e 23 de abril. “O planejamento foi concluído e está pronto para ser executado”, disse Vernet.
O Irã fechou o estreito em 4 de março, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel, iniciados em 28 de fevereiro, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Desde então, os prêmios de seguros contra riscos de guerra aumentaram de quatro a cinco vezes em relação aos níveis pré-conflito, segundo estimativas do setor, e cerca de 2.000 navios permanecem encalhados no Golfo.
O porta-aviões Charles de Gaulle recebeu ordens para se deslocar do Mar Báltico em 3 de março, como parte do que a França chamou de mobilização “sem precedentes”, que também inclui oito fragatas e dois navios de assalto anfíbio da classe Mistral.
O deslocamento do porta-aviões para o sul coloca os recursos aéreos franceses ao alcance do estreito sem que precisem entrar no Golfo Pérsico, onde a Marinha dos EUA mantém um bloqueio aos portos iranianos desde 13 de abril.
A França também opera uma base aérea em Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, devido a um pacto de defesa de longa data com Abu Dhabi, e os caças Rafale franceses baseados no país têm interceptado drones e mísseis iranianos sobre a nação do Golfo desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Vernet não especificou uma data para a operação franco-britânica dizendo que o porta-aviões estava sendo posicionado para estar perto o suficiente para agir caso as condições fossem atendidas. (Fonte: Associated Press)
Estadão Contéudo
