Segundo informações do The Wall Street Journal, a Meta deve recuar na compra da startup de inteligência artificial (IA) Manus após a China ter proibido a transação por supostos riscos à segurança nacional na segunda-feira (27).
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A compra foi realizada em dezembro, no valor de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,4 bilhões), e a tecnologia da empresa, com sede em Singapura, rapidamente foi integrada aos sistemas da Meta. Sendo assim, qualquer tentativa de desfazer o negócio provocaria a separação das companhias.
Como se já não bastasse, investidores da Manus, incluindo a empresa de capital de risco Benchmark, com sede na Califórnia (EUA), já receberam seus retornos, diz o jornal.
- Segundo o periódico, a Meta obtém receitas significativas de anunciantes chineses que buscam consumidores fora da China;
- Isso acontece mesmo com apps da Meta, como o Facebook, sendo bloqueados no país;
- Caso a Meta siga em seu plano de desfazer o negócio, investidores asiáticos da Manus, como Tencent, HSG e ZhenFund, planejam cooperar, segundo fontes;
- Pequim deu às empresas um prazo de algumas semanas para o acordo ser cancelado e para restaurar, de forma integral, os ativos chineses da Manus como estavam. Isso inclui a remoção de dados ou tecnologia previamente transferidos da Meta;
- A China também pensa em sancionar Manus e Meta se o negócio não for completamente desfeito.
O acerto entre as partes teria irritado Pequim, que começou a analisá-lo tão logo foi anunciado e, em março, convocou os dois cofundadores da Manus — Xiao Hong e Ji Yichao — para discuti-lo. A seguir, foram instruídos a não deixar o país enquanto a investigação estivesse em curso.
Até o momento, ao acessar o site da Manus, é possível ver uma mensagem que avisa o usuário sobre o acordo com a Meta e o redireciona para um post de blog.

Evolução do Manus
As primeiras versões do Manus foram criadas por engenheiros da Beijing Butterfly Effect Technology, fundada por Xiao em 2022. A seguir, uma empresa — também de nome Butterfly Effect —, cuja sede também é em Singapura, assumiu o controle das operações da IA.
Há alguns meses, a Manus transferiu boa parte dos funcionários da China para Singapura após investimento da Benchmark.
Quanto ao acordo com a empresa de Mark Zuckerberg, as autoridades chinesas entendem ter autoridade o bastante para exigir o cancelamento do acordo, uma vez que a Beijing Butterfly Effect Technology segue como empresa chinesa, de acordo com o Journal.
A legislação da China determina que qualquer investimento de fora que possa representar risco à segurança nacional pode passar por revisão das autoridades.
Antes da divulgação da proibição do negócio, houve, segundo o Journal, discussões sobre possível acordo para resolver as preocupações chinesas, como, por exemplo, a saída de fundadores de Manus e Meta.
A dona de Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads, que, certas vezes, contratou equipes de liderança de startups sem comprar as empresas, já reconheceu que precisará deixar os fundadores da startup saírem, de modo a completar o desacordo.

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Investidores com participações em empresas chinesas de IA afirmaram que a ordem emitida por Pequim é um alerta para quaisquer startups que busquem imitar o movimento da Manus.
Contudo, salientaram que os ricos crescentes também podem inibir investidores estrangeiros que queiram aplicar nas tecnologias chinesas de mais destaque, como ByteDance (dona do TikTok) e Alibaba, que captaram capital estrangeiro quando estavam iniciando.
O que dizem as partes
O Journal tentou contato com os executivos da Manus, com a Benchmark e com a Manus, mas não obteve resposta. O Olhar Digital contactou Manus e Meta e aguarda um posicionamento oficial.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
