Cenário envolve atritos entre o governador de São Paulo e o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab

O engajamento do PSD na tentativa de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode ser menor do que o esperado. Essa é, pelo menos, a avaliação de membros da sigla encabeçada por Gilberto Kassab (PSD), após atritos recentes que envolveram os dois nomes.
Publicamente, tanto Tarcísio de Freitas quanto Gilberto Kassab têm negado qualquer tipo de distanciamento ou desentendimento. Nos bastidores, no entanto, a leitura é outra. Um dos fatores apontados por pessoas próximas ao dirigente seria a “debandada” da equipe do PSD do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, pouco depois de Kassab deixar o cargo de secretário de Relações Institucionais.
“O Kassab tirou todo mundo. Eles [no Palácio] insistiram muito para que alguns representantes ficassem. Não rolou”, contou um interlocutor do presidente do PSD, sob reserva. A narrativa de aliados do governador, porém, rechaça a ideia de debandada.
Auxiliares de Tarcísio de Freitas destacam que a transição para a saída de Kassab foi “tranquila e dentro da normalidade”, além de ter seguido os ritos institucionais, com duração de cerca de um mês. A leitura é que Kassab teria levado a equipe que sempre o acompanhou para a pré-campanha de Ronaldo Caiado (União Brasil) à Presidência da República, o que foi considerado natural.
Quem assumiu a Secretaria de Relações Institucionais foi Roberto Carneiro, que antes chefiava a Casa Civil. A coluna apurou que Carneiro, inclusive, visitou Kassab em sua residência durante o período de transição, questionando quais compromissos ainda não firmados deveriam ser mantidos. Pelo menos quatro dirigentes regionais do PSD no interior do Estado foram mantidos, em cidades como Marília, Franca, Cruzeiro e São José dos Campos.
Já a leitura dentro do PSD é de ruptura, e que esses desentendimentos podem impactar o cenário eleitoral, principalmente no que diz respeito ao apoio de prefeitos do partido no interior à campanha de Tarcísio de Freitas. Atualmente, a sigla comandada por Kassab possui o maior número de municípios paulistas — são 206 dos 645.
Um membro relevante do partido avalia, no entanto, que não é possível “pisar no freio” por muito tempo e que, antes do fim do primeiro turno, a aliança precisará ser reforçada, já que o PSD tem interesse em permanecer no governo em caso de vitória de Tarcísio.
Desgaste
O estopim do atrito ocorreu quando Tarcísio de Freitas decidiu manter o atual vice, Felício Ramuth, então filiado ao PSD, na chapa. Gilberto Kassab pleiteava a vaga, que teria sido prometida em articulações realizadas em 2022. Ramuth acabou deixando o partido posteriormente.
Antes disso, interlocutores do PSD relatam que Kassab tentou, por diversas vezes, se reunir com Tarcísio de Freitas antes de deixar o cargo de secretário de Relações Institucionais, mas não obteve sucesso — tendo formalizado sua saída por mensagem. O encontro entre ambos ocorreu apenas um dia depois.
Os dois já vinham enfrentando divergências. Há relatos de que o governador não teria aprovado o fortalecimento do PSD durante o período em que Kassab esteve no governo. Além disso, Kassab afirmou, em entrevista, que Tarcísio seria “submisso” à família Bolsonaro.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
