Consumo de proteína cresce no Brasil — da prática esportiva ao cotidiano — e impulsiona a indústria

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O consumo de proteínas no Brasil amplia presença no carrinho de compras e deixa de ser associado exclusivamente a atletas nas academias, passando a integrar a rotina alimentar da população.

O cenário de tudo ser proteína acompanha a expansão do setor fitness, evidenciada na edição de 2026 do Arnold Sports Festival South America, idealizado por Arnold Schwarzenegger, que segue até domingo (26), no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

A feira organizada pela Savaget Group ocupa 60 mil m², com mais de 250 expositores, 200 marcas, cerca de 8,4 mil atletas e público estimado em mais de 105 mil visitantes, além de movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão em negócios.

As marcas que vendem whey e seus derivados montam estandes que parecem uma verdadeira Disney do suplemento, com ativações e estímulos visuais. Influenciadores e degustações dos lançamentos. Tem até de milho verde e de ovo.

Levantamento da Scanntech, em parceria com a McKinsey, aponta que, ao longo de 2025, alimentos proteicos ganharam escala no varejo, com crescimento de 124% em whey protein, 89% em creatina, 21% em cereais proteicos, 16% em iogurtes proteicos e 14% em leites saborizados com adição de proteína.

”O consumo de proteína deixou de ser exclusivo de atletas e passou a fazer parte do dia a dia das pessoas. Hoje vemos pão, snacks e diversos produtos enriquecidos, o que mostra que esse mercado ainda tem espaço para crescer. Não é mais apenas uma tendência, é uma mudança estrutural de consumo”, contou o CEO na FTW, Daniel Mencacci.

Marcas tradicionais já estão incorporando proteína aos seus portfólios – como a Pulmann, que fez pão de 12 g de proteína – e isso se reflete diretamente no custo: há dois anos o quilo do whey protein custava entre 4 e 5 dólares nos Estados Unidos, e hoje já chega a cerca de 20 dólares, puxado por uma demanda global crescente.

Esse cenário também abre espaço para novas fontes, como proteínas vegetais e colágeno, que passam a ganhar protagonismo dentro da indústria.

O avanço é acompanhado por dados do setor: entre 2021 e 2023, o consumo de whey e outros concentrados proteicos cresceu 25% no país, enquanto o Brasil já concentra cerca de 58% do mercado de whey protein da América do Sul, com crescimento médio anual de 8%.

A demanda acelerada também pressiona a cadeia produtiva e já impacta preços, oferta e desenvolvimento de novas categorias.

”A procura por proteína cresceu de forma muito consistente, primeiro com o movimento pós-pandemia, com foco em imunidade e qualidade de vida, e mais recentemente com os medicamentos à base de GLP-1, que se tornaram um dos principais motores dessa demanda ao exigirem maior reposição de massa magra”.

”Hoje já existem redes de varejo em que, para cada quatro ou cinco pacotes de arroz vendidos, há a venda de um pote de whey protein, o que mostra que a proteína passou a competir diretamente com alimentos básicos no carrinho do consumidor”, afirma Felipe Lira, CEO da Black Skull, empresa que convidou o chef Henrique Fogaça como seu embaixador .

”O desafio é que a oferta não acompanha esse crescimento. O whey protein depende do soro do leite, cuja produção cresce cerca de 2% ao ano, enquanto a demanda global avança em dois dígitos há bastante tempo”.

Esse desequilíbrio pressiona os preços e tende a reposicionar o whey como um produto mais premium, abrindo espaço para alternativas como proteínas de ervilha, arroz e outras fontes vegetais, que passam a ganhar escala para atender um mercado que segue em expansão.

”O mercado de proteína vive hoje um momento único, porque ele deixou de ser um nicho esportivo e passou a ocupar espaço dentro da alimentação cotidiana. A indústria entendeu isso rapidamente e começou a adaptar produtos tradicionais para versões com maior teor proteico, o que amplia muito o alcance desse tipo de consumo. Ao mesmo tempo, existe uma pressão global sobre a cadeia produtiva, que acaba refletindo em custo e disponibilidade de matéria-prima”, reforçou o CEO da FTW.

Evento (Foto: Savaget | Divulgação)
Foto: Savaget | Divulgação

O ambiente das academias e a mudança demográfica ajudam a explicar esse cenário. Hoje apenas entre 6% e 8% da população frequenta academias, o que mostra o tamanho do potencial de crescimento.

Ao mesmo tempo, o Brasil caminha para ter cerca de 40 milhões de idosos até 2029, o que muda completamente a lógica do setor.

”A atividade física deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade, ligada à saúde e à longevidade. Estamos vivendo uma virada de chave: mais pessoas entrando nas academias, mais foco em bem-estar e uma demanda crescente por nutrição adequada, com a proteína como base”, afirma Keko Rodrigues, empresário do setor de esportes e diretor técnico da Tecfit do ramo de eletroestimulação.

“Esse crescimento também exige especialização. Não dá mais para falar com todos ao mesmo tempo. Existem nichos claros, como público 40+, reabilitação, alto rendimento ou iniciantes, e cada um exige uma abordagem específica, o que impulsiona a profissionalização do setor e o desenvolvimento de soluções direcionadas”, completa.

O fortalecimento do setor também passa pela construção de ecossistemas e relacionamento dentro das academias. “A gente foi criando produtos dentro da academia, com treinamentos e metodologias exclusivas, e ampliando isso para outras frentes, como alimentação saudável, para fechar um ecossistema completo. Hoje, o diferencial está muito na comunidade e no relacionamento. Temos, por exemplo, grupos de corrida em parques, que conectam alunos fora do ambiente tradicional e fortalecem esse vínculo. Isso gera engajamento e faz com que a experiência vá muito além do treino”, afirma Rodrigo Sangion, CEO da Le Cinc Gym.

O movimento também se reflete na mudança de hábitos de consumo e socialização. Dados do mesmo levantamento da Scanntech indicam avanço de categorias associadas a um estilo de vida mais equilibrado, como energéticos sem açúcar (+56%), cervejas de baixa caloria (+40%), refrigerantes sem açúcar (+33%) e cervejas zero álcool (+10%), além do crescimento de 8,1% no consumo de café premium.











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