Apesar de veto no Maine, uma onda de projetos de lei em doze estados americanos busca impor moratórias para controlar o impacto ambiental e o consumo voraz de energia dos novos data centers
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A corrida global pela liderança na inteligência artificial encontrou um obstáculo inesperado nos Estados Unidos: o poder legislativo local. Atualmente, pelo menos 12 estados americanos discutem projetos de lei para impor uma moratória – ou seja, uma suspensão temporária e obrigatória – na construção de novos data centers de grande porte.
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O movimento ganhou destaque nesta semana após a governadora do Maine, Janet Mills, vetar um projeto que tornaria o estado o primeiro a paralisar oficialmente essas obras. Segundo a governadora, o veto serviu para proteger empregos em projetos que já estão em andamento, conforme detalhado pela Reuters.
O que está em jogo: energia e recursos naturais
O objetivo central dessas leis é congelar aprovações para instalações que exijam mais de 20 megawatts de potência. O prazo sugerido em muitos estados, como o Maine (outubro de 2027), serviria para que conselhos estaduais analisassem três pilares críticos:
- Rede elétrica: se a infraestrutura atual suporta a demanda sem causar apagões.
- Tarifas: se o custo da energia para o cidadão comum vai subir para subsidiar as big techs.
- Meio ambiente: o impacto real no consumo de água (para resfriamento) e na qualidade do ar.
De acordo com levantamento da Reuters, estes são os estados que possuem legislações em curso para limitar ou auditar a expansão dos data centers:
- Geórgia (HB 1012): proíbe novas licenças de construção até março de 2027.
- Maryland (HB 120): condiciona novas obras à aprovação de legislações sobre geração de energia própria (incluindo nuclear ou gás natural).
- Michigan (Resolução 240): pede uma pausa temporária em todos os incentivos fiscais estaduais para o setor.
- New Hampshire (HB 1265): propõe um ano de proibição total para estudar impactos ambientais.
- Minnesota (SF 4298): impede licenças até que um relatório sobre cenários de desenvolvimento seja entregue à Comissão de Serviços Públicos.
- Nova York (S9144): impõe moratória estadual e exige um plano para evitar que o custo da energia seja repassado às contas de luz residenciais.
- Oklahoma (SB 1488): suspende construções até novembro de 2029 para estudar o impacto no abastecimento de água, nas tarifas de serviços públicos e nos valores imobiliários.
- Carolina do Sul (H 5286): impede governos de concederem licenças ou incentivos até janeiro de 2028.
- Dakota do Sul (SB 232 / HB 1301): estabelece moratória de um ano focada em centros de dados “hiperescaláveis”.
- Vermont (S 205): cria uma suspensão temporária até julho de 2030 para criar uma estrutura regulatória robusta.
- Virgínia (HB 1515): barram rezoneamentos até que condições específicas de interconexão de rede sejam atendidas.
- Wisconsin (LRB-6377/1): proíbe operações até que sejam criadas regras que impeçam a transferência de custos de energia e água para o consumidor final.
IA vs. sustentabilidade local
Muitos desses projetos de lei são vistos como um teste de resistência contra a pressão de Washington para vencer a corrida tecnológica contra Pequim. Enquanto o governo federal incentiva a infraestrutura de IA, as comunidades locais temem que o custo ambiental e financeiro dessa expansão recaia sobre os residentes, de acordo com informações da Reuters.
Em estados como Michigan e Dakota do Sul, a pausa também visa reavaliar os incentivos fiscais bilionários concedidos a empresas de tecnologia, questionando se o retorno em empregos justifica o estresse causado na infraestrutura básica do estado.
