Fotos das missões Apollo 8 e Artemis 2 mostram como a Terra mudou

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Uma foto da Terra surgindo atrás da Lua, obtida pela missão Apollo 8 em 1968, tornou-se um dos registros mais famosos do espaço. Quase seis décadas depois, a missão Artemis 2, também da NASA, registrou uma imagem semelhante, mostrando a Terra se pondo atrás do horizonte lunar. As duas cenas permitem comparar como o planeta mudou ao longo de 58 anos.

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Quando o comandante da Apollo 8, Frank Borman, viu pela primeira vez o lado oculto da Lua, ele descreveu uma paisagem extremamente hostil. Segundo o astronauta, a superfície era marcada por crateras profundas e ausência total de cores, com predominância de tons cinzentos e escuros. A impressão era de um ambiente antigo, seco e completamente sem sinais de vida.

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“Earthrise”, famosa foto tirada por William “Bill” Anders, em 1968, mostrando a Terra surgindo na superfície lunar – Crédito: William Anders/NASA

Durante as primeiras órbitas ao redor da Lua, a tripulação seguiu observando esse cenário até que a nave se reposicionou em relação à Terra. Nesse momento, surgiu a visão que mudaria a história da exploração espacial. O planeta apareceu acima do horizonte lunar, iluminado e isolado no espaço escuro. O astronauta Bill Anders registrou a cena, que foi batizada de “Earthrise” (nascer da Terra).

Borman descreveu a imagem como algo inesperado e profundamente marcante. Para ele, a Terra se destacava como o único elemento colorido em meio ao vazio do espaço. De acordo com a BBC, essa percepção reforçou a ideia de fragilidade do planeta e a sensação de que toda a vida humana estava concentrada em um pequeno ponto azul suspenso no Universo.

A fotografia ganhou rapidamente repercussão mundial e passou a ser considerada um marco cultural e científico. Ao mostrar a Terra como um planeta isolado e delicado, a imagem influenciou a forma como a humanidade passou a pensar sobre meio ambiente. Ela também teve papel importante na consolidação do movimento ambientalista e inspirou a criação do Dia da Terra, em 1970.

Artemis 2 registra o “pôr da Terra” na Lua

Agora em 2026, a missão Artemis 2 trouxe uma nova perspectiva desse mesmo tipo de observação. Durante uma passagem próxima da Lua, no dia 7 de abril, os tripulantes da nave Orion registraram a Terra se pondo atrás do horizonte lunar. A imagem, apelidada de “Earthset” (pôr da Terra), apresenta o planeta parcialmente iluminado, com nuvens, oceanos e áreas em sombra visíveis a partir do espaço.


A composição também mostra detalhes da superfície da Lua, incluindo crateras e formações geológicas antigas. O contraste entre os dois corpos celestes reforça a sensação de profundidade e isolamento da Terra no espaço.

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Pôr da Terra no horizonte lunar visto pela missão Artemis 2 – Crédito: NASA

Diferentemente da década de 1960, quando as imagens espaciais ainda eram raras, hoje a Terra é constantemente monitorada por satélites. Esses sistemas observam o planeta em diferentes espectros de luz, coletando dados sobre clima, oceanos, gelo e vegetação. Ainda assim, fotografias feitas por astronautas continuam tendo um impacto particular por serem registros diretos da experiência humana no espaço.

Especialistas explicam que imagens capturadas por seres humanos carregam um componente emocional que vai além do aspecto técnico. O enquadramento, o momento do disparo e a percepção individual do astronauta influenciam o resultado final. Isso contribui para que fotos como as da Apollo 8 e da Artemis 2 sejam vistas não apenas como dados científicos, mas como registros simbólicos.

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Transformações na superfície e na composição química da Terra

A comparação entre as duas imagens permite observar mudanças ambientais ocorridas ao longo das últimas décadas. Desde o fim dos anos 1960, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou significativamente, acompanhada por uma elevação da temperatura média global em torno de 1°C. Esses fatores estão diretamente ligados à intensificação das atividades humanas.

Pesquisadores apontam ainda alterações visíveis na superfície terrestre, como expansão de áreas urbanas, redução de florestas e mudanças no uso do solo. Em alguns casos, ecossistemas inteiros foram modificados ou degradados. Essas transformações alteram a aparência do planeta quando observado do espaço, ainda que de forma sutil em imagens de grande escala.

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Incêndios e desmatamento no estado do Pará, Brasil, registrados por satélites da NASA – ações humanas vêm transformando a superfície da Terra ao longo das décadas – Crédito: Best-Backgrounds – Shutterstock

Na região da Antártica, estudos indicam mudanças expressivas no gelo ao longo do tempo. O aumento das temperaturas contribuiu para o recuo de plataformas de gelo e alterações no equilíbrio da criosfera. Fenômenos semelhantes também são observados em regiões do hemisfério norte, com redução da neve sazonal e mudanças no padrão de degelo.

Cientistas estimam que a maior parte dessas transformações esteja relacionada à ação humana, especialmente a partir da industrialização. Essa interpretação reforça o valor comparativo entre registros espaciais antigos e atuais, que ajudam a visualizar de forma mais clara o impacto das atividades humanas no planeta ao longo do tempo.

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Apesar das diferenças entre as épocas, as duas imagens também compartilham uma mesma mensagem. A fotografia da Apollo 8 revelou a fragilidade da Terra e influenciou gerações a refletirem sobre sua preservação. Já a imagem da Artemis 2 atualiza essa percepção em um contexto tecnológico mais avançado, mantendo a ideia de que o planeta continua pequeno e vulnerável diante da imensidão do espaço.




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