A incontestável vitória do Flamengo sobre o Chelsea, por 3 a 1, reverberou demais na Europa. E gerou uma análise muito interessante por parte do técnico David García, que questionou o entendimento de futebol dos europeus e comparou o Rubro-Negro ao Barcelona de Guardiola.
Dono da licença A da UEFA e professor de treinadores na Europa, David Garcia publicou uma longa análise sobre o futebol do Flamengo na vitória sobre o Chelsea e sugeriu uma nova visão sobre o futebol para os clubes europeus. Além disso, rasgou elogios à mentalidade do Brasil sobre o jogo.

Prós
Autorizada pela Portaria SPA/MF Nº 2.104-12, de 30 de dezembro 2024 | Jogue com responsabilidade +18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se os Termos e Condições.
“O futebol europeu nos ensinou a venerar o espaço. Encontre o homem mais fundo, quebre a linha, estique o campo. Mas, talvez, o futebol seja mais que isso. O futebol brasileiro está nos lembrando: o futebol é sobre nós. O futebol associativo vive”, exaltou David, antes de começar a explicação.
O principal tópico separado pelo analista sobre o jogo do Flamengo foi a questão posicional. Ao invés de esticar o campo a todo o tempo, o Rubro-Negro buscou constantemente associações curtas que geraram espaços, ao invés de esperar que o Chelsea os abrisse. Naturalmente, criou muitas chances.
“Cinco passes, dois jogadores, nunca mais de 6 metros separados. Eles venceram quatro defensores do Chelsea sem precisar de espaço, trocas ou estrelas. Apenas ritmo, sentimento e confiança na próxima ação. O terceiro gol do Flamengo é puro futebol de rua”, elogiou no tento de Wallace Yan.
Comparação com Barcelona de Guardiola e Messi
Usando outros lances como exemplo, David chegou ao Barcelona de Pep Guardiola, que encantou o mundo durante anos com Messi e companhia.
“Se você está pensando: ‘Isso parece familiar’, você não está errado. É exatamente o que vimos do Barcelona entre 2008 e 2012. Mesmo ritmo, mesma sobrecarga, mesma mágica”, ressaltou.
European football taught us to worship space.
Find the deepest man. Break the line. Stretch the field, but maybe that’s not all football is.
Brazilian football is reminding us: football is about us.
Associative football lives 🧵👇 pic.twitter.com/A3pmnWfuon
— David Garcia (@IJaSport) June 21, 2025
Além disso, David Garcia ainda pontuou algo importante: o Barcelona era aclamado como uma escola espanhola de jogo, mas o técnico pediu um pouco mais de atenção a algumas das peças que faziam o jogo girar.
“Todos chamavam de ‘futebol espanhol’. O Barcelona de 2008 parecia como o pico de uma nova era, mas olhe mais de perto. Daniel Alves, Messi. Não era apenas a Espanha, era a América do Sul pulsando através do ritmo”, destacou.
A análise ainda ressalta os pontos opostos nas abordagens de europeus e sul-americanos. Enquanto um opta pelo espaço, o outro encurta, pressiona e precisa criar associações rápidas entre os jogadores, que se comportam como vértices no espaço.
Em longa explicação, David inclui até uma revelação de Daniel Alves. O brasileiro revelou que costumava forçar um passe para Messi que Guardiola detestava. No entanto, o brasileiro explicou que precisava manter o argentino aceso no jogo e convenceu o treinador espanhol.
Mais uma prova de como, às vezes, a mentalidade sul-americana traz uma compreensão diferente daquilo que os europeus tomam como certo.
Após o show contra o Chelsea, o Flamengo fecha a fase de grupos contra o LAFC, nesta terça-feira, em Orlando. A bola rola a partir das 22h (horário de Brasília), com o Rubro-Negro já classificado e o time americano sem chances de ir às oitavas de final.
