Sinais de colaboração surgem em paralelo enquanto autoridades priorizam negociações consideradas mais estratégicas
A decisão do empresário Daniel Vorcaro de iniciar tratativas para um acordo de colaboração com a Polícia Federal abriu espaço para novos desdobramentos. Pessoas próximas ao ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, passaram a indicar que ele também considera a possibilidade de firmar delação.
A movimentação ocorre após Vorcaro comparecer à Superintendência da Polícia Federal em Brasília e assinar um termo de confidencialidade, etapa inicial para negociações formais de colaboração premiada.
Segundo a CNN Brasil, interlocutores afirmaram que o grupo ligado a Paulo Costa procurou a corporação para transmitir o interesse do ex-dirigente em contribuir com informações no âmbito das investigações.
Tentativa anterior não avançou
O interesse de Paulo Costa em dialogar com a Polícia Federal não começou agora. Em fevereiro, ele teria buscado contato com investigadores e solicitado a oportunidade de prestar um novo depoimento. Na ocasião, no entanto, não houve avanço nas tratativas. As negociações não evoluíram e o cenário permaneceu indefinido até as movimentações mais recentes envolvendo Vorcaro.
Com o avanço das discussões com o dono do Banco Master, o nome de Paulo Costa voltou a ser citado internamente, embora sem prioridade no momento.
Foco inicial em Vorcaro
A Polícia Federal concentra seus esforços atuais na possível delação de Daniel Vorcaro. A avaliação é que o acordo pode trazer elementos importantes para o andamento das apurações.
Diante disso, a abertura de uma negociação paralela com Paulo Costa não é tratada como prioridade neste estágio das investigações.
Investigadores indicam ainda que a disposição da corporação em negociar com o ex-presidente do BRB diminuiu em comparação com o início do ano, embora a possibilidade não esteja descartada.
Cenário pode mudar
A eventual colaboração de Paulo Costa deve ser reavaliada posteriormente, a depender dos desdobramentos do caso. O avanço das investigações e o conteúdo apresentado por Vorcaro serão determinantes para definir os próximos passos.
Caso surjam novas informações relevantes, a Polícia Federal poderá reconsiderar a abertura de negociações com o ex-dirigente do banco público. Até o momento, a defesa de Paulo Henrique Costa não se manifestou.
Quem é Paulo Henrique Costa?
Paulo Henrique Costa construiu carreira consolidada no sistema financeiro brasileiro, com passagem por cargos estratégicos e atuação em áreas de gestão, risco e inovação. Sua formação acadêmica inclui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Pernambuco, além de especializações v≈oltadas à gestão e liderança, segundo o BRB.
Ele realizou pós-graduação em Desenvolvimento Gerencial pela Fundação Getulio Vargas, uma das principais instituições de ensino do país na área de negócios, e também cursou Inovação Corporativa na Stanford University. No exterior, concluiu ainda formação em Administração pela University of Birmingham e um mestrado executivo na Kellogg School of Management, reforçando sua qualificação internacional.
Com mais de duas décadas de experiência no setor, Costa teve trajetória relevante dentro da Caixa Econômica Federal, onde ocupou diferentes funções de liderança. Entre 2001 e 2018, exerceu cargos executivos ligados à área de controladoria, finanças e relacionamento com investidores na área de seguros do grupo.
Ao longo da carreira, também atuou diretamente com gestão de riscos, incluindo posições como superintendente nacional e gerente responsável por modelagem e estratégias corporativas. Entre 2011 e 2013, assumiu a diretoria de controladoria e compliance do Banco Panamericano, ampliando sua experiência em governança.
Antes de assumir o comando do BRB, ocupava a vice-presidência de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa, função que deixou para liderar o banco público do Distrito Federal. Além disso, participou de fóruns importantes do setor, como comissões da Federação Brasileira de Bancos e iniciativas ligadas à implementação de normas internacionais de regulação bancária, como o acordo de Basileia.
