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Michele Spagnuolo, funcionário do Google, foi formalmente acusado por promotores federais dos Estados Unidos de usar informações confidenciais da empresa para ganhar US$ 1,2 milhão (R$ 6 milhões) em apostas no mercado de previsões Polymarket. As acusações incluem fraude de commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
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Segundo a denúncia, Spagnuolo “conhecia o resultado dessas apostas antes do público porque teve acesso aos dados internos confidenciais e comercialmente valiosos do Google”. Ele foi preso em Nova York nesta quarta-feira (27) e liberado mediante fiança de US$ 2,2 milhões (R$ 11,4 milhões).

Apostas do funcionário do Google sob pseudônimo chamaram atenção
- Spagnuolo fez as apostas usando o nome de usuário “AlphaRacoon“, e seus acertos relacionados às tendências de busca chamaram a atenção de veículos, como Forbes e usuários de redes sociais em dezembro;
- Em um caso específico, ele previu corretamente que um cantor chamado D4vd seria “a pessoa mais pesquisada no Google” em 2025, apesar da “probabilidade quase zero” atribuída pelo Polymarket;
- Simultaneamente, Spagnuolo apostou que o Papa Leão XIV e Kendrick Lamar não apareceriam nas listas “Year in Search 2025” do Google;
- Essas listas são difíceis de prever devido à forma como são calculadas — o Google afirma que ranqueou os termos do ano passado com base em quais tiveram o “maior aumento de tráfego“, não o maior número de buscas, entre 1º de janeiro e 25 de novembro de 2025.
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Tentativas de ocultar origem dos ganhos
“Depois que venceu, Spagnuolo tomou medidas deliberadas para ocultar seu uso ilegal de informações não públicas, tentando obscurecer a fonte e a propriedade de seus ganhos ilegais”, afirma a denúncia.
No mês passado, os promotores federais também acusaram o soldado do Exército estadunidense Gannon Ken Van Dyke de fraude por supostamente fazer uma aposta de US$ 400 mil (R$ 2 milhões) no Polymarket sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Vários estados dos EUA tomaram medidas para regulamentar plataformas de mercado de previsões, como Polymarket e Kalshi, devido a preocupações sobre uso de informações privilegiadas, mas a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) e o presidente Donald Trump se opuseram a essas decisões. A CFTC afirma ter autoridade “exclusiva” sobre mercados de previsão.

Reações das empresas envolvidas
Em comunicado no X, o Polymarket se descreveu como “líder em fiscalização“, dizendo que sua “infraestrutura de integridade de mercado” sinalizou a atividade de Spagnuolo. “O comércio em blockchain é transparente, rastreável e agentes mal-intencionados deixam pegadas”, escreveu a empresa, sem mencionar se as pessoas que investem dinheiro sabem disso.
“Estamos trabalhando com as autoridades em sua investigação“, disse a porta-voz do Google, Jaclyn Vazquez, em declaração ao The Verge.
“O funcionário acessou nosso material de marketing usando uma ferramenta disponível para todos os funcionários, mas usar essas informações confidenciais para fazer apostas é uma violação séria de nossas políticas. Colocamos o funcionário em licença e tomaremos as medidas apropriadas.”
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
