São Paulo, 25 – O jornal britânico Financial Times publicou ontem reportagem em que afirma que o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode “afundar” a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o periódico, a produção virou uma espécie de “comédia de erros” antes mesmo da estreia, após as revelações de que Flávio buscou financiamento para o longa com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e alvo de investigações por fraudes.
Na análise do FT, a controvérsia levanta dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio, “ungido” como sucessor político do pai, condenado pela trama de golpe. “A revelação colocou o principal desafiante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um amplo escândalo político que abalou Brasília, ameaçando a candidatura do senador de 45 anos”, diz o jornal, acrescentando que Flávio vai “buscar no pai inspiração para sua própria sobrevivência política”.
De acordo com o site Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões foram enviados em 2025 para o filme sobre Bolsonaro. O FT aponta que a soma supera, com folga, o orçamento de produções brasileiras de grande porte, como O Agente Secreto, que custou R$ 27 milhões.
“Já os apoiadores da cinebiografia de Bolsonaro argumentam que o valor não é elevado para os padrões de Hollywood”, afirma a publicação, que define o longa como mistura de thriller e conspiração que narra a chegada do “Trump dos Trópicos” ao poder em 2018.
O FT destaca ainda que a produção do filme foi alvo de denúncias a sindicatos sobre condições de trabalho no set e o uso não autorizado de uma música da cantora Beyoncé.
DIVULGAÇÃO
Apesar do desgaste, aliados dos Bolsonaros avaliaram ao FT que o filme, estrelado pelo ator americano Jim Caviezel, pode alcançar uma boa repercussão no Brasil e no exterior. Ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon declarou ao jornal que vai ajudar na divulgação do longa nos EUA e que a participação de Caviezel, ligado ao movimento conservador Make America Great Again (Maga), pode aumentar o interesse na obra.
“Se você está no Brasil e descobre que existe um filme sobre o seu ex-presidente, estrelado por uma grande estrela de Hollywood, esse tipo de coisa multiplica o alcance do investimento. É melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV”, disse ele.
Estadão Conteúdo
