A terapia com células CAR-T, aplicada no tratamento de cânceres do sangue, vem sendo incorporada de forma mais precoce em protocolos clínicos ao redor do mundo e no Brasil. A mudança envolve pacientes com leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, especialmente em casos de recaída ou resistência a terapias iniciais.
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A estratégia é usada em centros especializados, como redes hospitalares e serviços de oncologia, e baseia-se na modificação genética de células de defesa do próprio paciente para reconhecer e destruir células tumorais. A tendência recente de antecipar seu uso busca aumentar as taxas de remissão e melhorar desfechos clínicos.
A ampliação dessa indicação ocorre após resultados positivos de estudos internacionais e decisões regulatórias como as da agência norte-americana FDA e da Anvisa, que aprovaram terapias baseadas nessa tecnologia para diferentes cenários clínicos e linhas de tratamento.
Para quem tem pressa:
- Terapia CAR-T passa a ser usada mais cedo no tratamento de cânceres do sangue, como linfomas, leucemias e mieloma múltiplo, com foco em melhorar remissão;
- Técnica consiste em modificar células de defesa do próprio paciente em laboratório para atacar tumores, com reinfusão após cerca de 45 dias;
- Estudos clínicos e aprovações regulatórias indicam resultados promissores, mas ainda sem confirmação de cura definitiva.
Terapia CAR-T avança para fases mais precoces no tratamento do câncer

A terapia com células CAR-T é uma abordagem de imunoterapia celular voltada principalmente a cânceres hematológicos, como leucemia linfoblástica aguda de células B, linfomas não Hodgkin e mieloma múltiplo.
O método consiste na coleta das células de defesa do paciente, sua modificação em laboratório para reconhecimento de células tumorais e posterior reinfusão no organismo.
Segundo a evolução dos protocolos clínicos (citados mais abaixo nesta matéria), essa tecnologia deixou de ser restrita a fases mais avançadas do tratamento, como quintas linhas terapêuticas, e passou a ser considerada mais cedo em determinados casos.
Em algumas situações, pode ser aplicada já após a falha da primeira linha de tratamento ou em cenários específicos de recidiva. “Quanto mais precoce a indicação, maiores são as chances de remissão da doença”, afirma o hematologista Renato de Castro, da Oncologia D’Or.
Resultados positivos observados em pesquisas clínicas vêm influenciando a ampliação do uso da terapia com células CAR-T em diferentes estágios do tratamento oncológico.
Em 2022, a agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration), autorizou a utilização da técnica para pacientes adultos com mieloma múltiplo que já haviam passado por múltiplas linhas terapêuticas e não respondiam mais aos tratamentos disponíveis.
Dois anos depois, novos dados reforçaram essa tendência de expansão. O estudo CARTITUDE-4 demonstrou que a terapia com células CAR-T foi capaz de reduzir em 59% o risco de progressão da doença ou morte quando comparada ao tratamento padrão.
Com base nesses achados, a FDA passou a reconsiderar o posicionamento da terapia, permitindo sua aplicação em fases mais precoces do tratamento, incluindo contextos de primeira ou segunda linha em determinados perfis de pacientes.
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No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou três terapias que utilizam essa tecnologia, ampliando seu uso clínico em ambientes hospitalares especializados. O processo terapêutico envolve ainda etapas de avaliação clínica rigorosa, coleta celular, processamento em laboratório internacional e reinfusão em prazo médio de até 45 dias.
“Para pacientes com linfoma não Hodgkin, podemos usar as Células CAR-T, na falha da primeira linha de tratamento, que é a imunoquimioterapia”, observa Renato de Castro.
No caso da leucemia, a terapia celular pode ser indicada como uma alternativa em segunda linha quando a doença não é controlada a ponto de permitir a realização de um transplante de medula óssea. “Pode ser a terceira linha de tratamento, em casos de recaída após o transplante”, complementa o médico.

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Evidências científicas recentes indicam que o avanço da terapia está associado a resultados clínicos relevantes. Estudos como JULIET, CARTITUDE e ELIANA apontam taxas significativas de remissão e sobrevida livre de progressão em diferentes tipos de câncer hematológico, com acompanhamento de longo prazo em parte dos pacientes.
Apesar dos resultados promissores, o material ressalta que ainda não há comprovação definitiva de cura, já que a medicina considera esse desfecho apenas após longos períodos sem recidiva. Mesmo assim, os dados reforçam a tendência de expansão do uso da terapia em fases mais iniciais do tratamento.
No estudo JULIET, pesquisadores acompanharam, por cinco anos, 115 pacientes com linfoma difuso de grandes células B recidivado ou refratário tratados com a terapia celular. Nesse grupo, 61% permaneceram sem recaída ao longo do período de observação.
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Em outra análise, referente ao estudo CARTITUDE-1, mais de 30% dos 97 pacientes com mieloma múltiplo continuaram vivos e sem progressão da doença por pelo menos cinco anos após uma única infusão de células CAR-T.
Já no estudo ELIANA, após cerca de 38,8 meses de acompanhamento, 79 pacientes pediátricos e jovens com leucemia linfoblástica aguda de células B recidivada ou refratária apresentaram taxa global de remissão de 82% com o tratamento baseado em terapia celular.
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Como funciona o processo terapêutico?
Pacientes que preenchem os critérios clínicos para receber a terapia com células CAR-T são direcionados a equipes especializadas, responsáveis por uma avaliação detalhada do estado geral de saúde.
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O tratamento não é restrito a faixas etárias mais jovens e pode ser aplicado também em pessoas com mais de 70 anos, desde que não apresentem condições clínicas graves, como insuficiência renal em estágio avançado com necessidade de hemodiálise, insuficiência cardíaca ou cirrose hepática.
O processo terapêutico começa com a retirada das células do próprio paciente, realizada no Brasil. Em seguida, esse material é enviado a um laboratório no exterior, onde passa por engenharia genética para ser reprogramado e adquirir a capacidade de identificar e atacar células cancerígenas. Após essa etapa de manipulação, as células são devolvidas ao país e reinfundidas no paciente, em um intervalo que pode chegar a cerca de 45 dias.
A resposta ao tratamento não é imediata. Os primeiros sinais de melhora costumam aparecer de forma progressiva aproximadamente um mês após a reinfusão, período em que exames ainda podem indicar a presença da doença.
Conforme explica Renato de Castro, os efeitos mais expressivos, incluindo remissões completas em alguns casos, tendem a se consolidar após o terceiro mês.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
