MATEUS VARGAS E RAPHAEL DI CUNTO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Área que lidera a lista de pior avaliação no governo Lula (PT), segundo pesquisa Datafolha, a segurança pública será um dos temas mais explorados pela oposição na campanha, dizem adversários do petista. Já o governo pretende destacar as ações para combate à criminalidade, principalmente do “andar de cima”, e os marcos legais enviados ao Congresso.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou à reportagem que este é um dos temas mais demandados pela população e defendeu as ações do Legislativo para ajudar no combate à criminalidade.
“A segurança pública é um problema das três esferas administrativas. Desde as guardas municipais, passando pelas polícias e chegando no plano federal, temos de cada vez mais integrar. Isso que a gente fez com a PEC da Segurança [Pública]”, disse o parlamentar.
A pesquisa mostra que o governo se sai pior em áreas consideradas como prioridade para o presidente eleito em outubro, como saúde (preocupação de 34% dos ouvidos pelo Datafolha), segurança pública (12%) e economia (11%).
Os entrevistados consideram que os temas em que Lula mais vai mal são segurança pública (16%), saúde (15%), economia (13%) e combate à corrupção (13%). São todos temas que a oposição planeja usar para tentar desgastar o presidente e apresentar propostas para conquistar o eleitor.
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que “é natural” a má avaliação do governo nos temas da corrupção, “que sempre foi marca dos governos petistas”, e na segurança pública, em que “seu governo foi um grande fracasso e agora tenta desesperadamente, no último ano de mandato, melhorar sua imagem” com o lançamento de novas medidas.
A segurança pública é um tema explorado pelos principais pré-candidatos à Presidência de oposição ao governo, como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
REAÇÃO DO GOVERNO
Lula pretende rebater as críticas nesta área com um pacote de medidas legislativas, como a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, que estabelece regras de cooperação entre União, estados e municípios, e o projeto de lei antifacção, que endureceu a legislação penal.
Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Alencar Santana Braga (PT-SP) afirma que o desafio é mostrar para a população que os principais responsáveis pela área são os governadores.
“A insegurança de não poder andar com celular na rua em plena capital paulista é responsabilidade direta do governo do estado, que comanda a Polícia Militar. Mas as pessoas acabam não compreendendo, e os governadores, de uma maneira esperta e sorrateira, dizem que é responsabilidade federal”, disse.
Um integrante do Planalto ressalta que outra estratégia é dizer que Lula agiu contra crimes do colarinho branco e de empresários, e buscou asfixiar organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) com a operação Carbono Oculto. A ideia é fazer um contraste com os adversários, que, na narrativa petista, defenderiam os mais ricos.
LEGISLATIVO
Motta afirmou que foram aprovados mais de 50 projetos sobre segurança pública na Casa e que o tema seguirá prioritário, principalmente projetos contra o feminicídio.
A PEC da Segurança está travada há mais de dois meses no Senado, à espera de que o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) a envie para debate nas comissões. Ele, no entanto, está em conflito com o governo desde que Lula indicou Jorge Messias para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) ano passado.
“Eu tenho plena confiança de que o Senado deve votar, sim, a PEC da Segurança. É também uma prioridade pro Senado, é uma prioridade do Brasil”, disse Motta.
Líder do União Brasil na Câmara, o deputado Pedro Lucas Fernandes (MA) afirmou que diversos parlamentares já fizeram apelo para que o Senado avance com essa PEC. “A PEC da Segurança foi emblemática. Falta o Senado fazer o papel dele”, disse.
SAÚDE
O deputado Carlos Veras (PT-PE) disse que Lula buscará fazer também uma comparação nas ações sobre a saúde com o governo Bolsonaro, que é a segunda pior avaliada pela população em relação ao atual governo. De acordo com o Datafolha, 15% dos eleitores consideram que este é o campo em que o governo vai pior.
“Se a gente lembrar, o governo anterior destruiu todas as políticas que tinham sido construídas ao longo do tempo para a saúde. Negou o SUS [Sistema Único de Saúde], negou a ciência. A única grande obra deles para este país foi 700 mil covas porque negligenciaram a pandemia do Covid-19 e muita gente morreu”, afirmou.
Segundo o petista, serão destaque na campanha programas como o Farmácia Popular, a volta do Mais Médicos e o Agora Tem Especialista, que firmou parcerias para reduzir o tempo de espera para consultas, exames, tratamentos e cirurgias eletivas.
