Leila Pereira durante coletiva no Palmeiras (Crédito: Cesar Greco/Palmeiras)
O futebol brasileiro vive mais um capítulo decisivo nos bastidores. Após o acordo entre Libra e Flamengo sobre a divisão das receitas de transmissão, a saída do Palmeiras da Libra foi oficializada nesta terça-feira (5).
Portanto, o entendimento firmado envolve os valores de audiência, que correspondem a 30% da remuneração fixa do contrato com a Globo pelos direitos de transmissão até 2029.
A medida encerra uma disputa interna, mas, ao mesmo tempo, gera novos conflitos políticos.
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Acordo entre Libra e Fla mira avanço da liga
O acerto foi divulgado por meio de uma nota conjunta. No texto, as partes destacaram o esforço para chegar a um consenso e avançar na construção de uma liga nacional.
Confira a nota na íntegra:
– Os clubes da Libra e o Clube de Regatas do Flamengo firmaram, neste fim de semana, um acordo que encerra a divergência sobre a distribuição da receita relativa aos valores de audiência – que representa 30% do total da remuneração fixa estabelecida no contrato com a Globo pelos direitos de transmissão dos jogos até 2029.
Foi encontrado um ponto de equilíbrio entre o que a nova diretoria do Flamengo requisitava desde que assumiu o comando do clube, em janeiro de 2025, e o que alguns clubes da Libra entendiam ser o modelo de sua preferência. O esforço de todos para alcançar a solução foi fundamental.
Flamengo e os demais clubes da Libra agora focam nos próximos passos para a criação da Liga Nacional, no reforço da valorização de suas propriedades e na visão de fortalecimento, avanço e melhoria do ecossistema do futebol brasileiro, em conjunto com a CBF e os clubes da FFU.
Palmeiras critica cenário e anuncia saída
Apesar do discurso de evolução, a reação foi imediata. Insatisfeito com os rumos do bloco, o clube paulista optou por deixar a associação e fez duras críticas à condução do processo.
Veja a nota oficial na íntegra:
– A Sociedade Esportiva Palmeiras comunica que formalizou nesta terça-feira (5) a decisão de se retirar da LIBRA (Liga do Futebol Brasileiro), por divergências relacionadas ao papel desempenhado atualmente pelo bloco.
Desde as tratativas iniciais, em 2022, o clube participou de forma ativa e propositiva das discussões voltadas à construção de uma liga unificada, convicto de que tal iniciativa representaria um avanço significativo na organização e no fortalecimento do futebol nacional.
É inegável que o bloco obteve conquistas, entre elas o acordo vigente pelos direitos de transmissão na TV. Ao longo desse processo, contudo, atitudes egoístas – quando não predatórias – inviabilizaram a coesão necessária para a criação de um modelo compartilhado de gestão e governança.
Desse modo, a LIBRA acabou por se distanciar de seus propósitos originais, consolidando-se, na prática, como um grupo heterogêneo dedicado a tratar exclusivamente de interesses individuais.
A saída da LIBRA não implica adesão do Palmeiras a qualquer outra associação representativa. O clube opta, neste momento, por acompanhar os próximos passos da possível estruturação de uma liga, conduzida no âmbito institucional da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Seguimos abertos ao diálogo e dispostos a contribuir por meio de medidas que possam efetivamente promover a evolução estrutural de que o futebol nacional necessita.”
Saída expõe divisão e incerteza sobre a liga
A saída do Palmeiras da Libra reforça a dificuldade de alinhar interesses entre os clubes, mesmo diante de avanços pontuais. Embora o acordo com o Fla represente um passo importante na questão dos direitos de transmissão, ele também evidencia a fragilidade do projeto coletivo.
Além disso, o episódio levanta dúvidas sobre o futuro da liga no Brasil. Além disso, a falta de consenso em temas estratégicos pode atrasar a criação de uma estrutura mais moderna e eficiente para o futebol nacional.
Cenário segue indefinido
Diante desse contexto, o futebol brasileiro segue em um momento de transição. A saída do Palmeiras da Libra não apenas marca uma ruptura relevante, mas também indica que o caminho para a unificação dos clubes ainda será longo e complexo.
Enquanto isso, os próximos movimentos — especialmente envolvendo CBF e demais blocos — serão decisivos para definir os rumos da liga e do modelo de negócio do esporte no país.
