Autoridades barram atracação no porto da Praia para evitar risco à população após possível foco da doença a bordo; OMS registra três mortes suspeitas de infecção

Um cruzeiro, com um possível foco de hantavírus, não foi autorizado a atracar no porto da Praia, a capital de Cabo Verde, e os passageiros não poderão desembarcar como uma medida para “proteger a população de Cabo Verde”, informaram as autoridades de saúde do país.
“Em coordenação com outras autoridades (…), não foi concedida ao navio autorização para atracar no porto de Praia”, declarou a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, à emissora pública Rádio de Cabo Verde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou no domingo três mortes vinculadas ao possível foco de infecção por hantavírus, uma doença que pode provocar uma síndrome respiratória aguda, em um cruzeiro no Atlântico.
O navio, o MV Hondius, viajava entre Ushuaia, na Argentina, e o arquipélago de Cabo Verde.
Mortes suspeitas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou neste domingo (3) três mortes relacionadas a um possível surto de infecção por hantavírus em um navio de cruzeiro no Atlântico.
“Até o momento, foi confirmado um caso de infecção por hantavírus em laboratório, e há outros cinco casos suspeitos. Das seis pessoas afetadas, três morreram e uma está atualmente em terapia intensiva na África do Sul”, informou a organização.
O vírus é transmitido por roedores e pode causar doenças respiratórias graves, com risco de evolução fatal. O surto ocorreu no MV Hondius, que viajava de Ushuaia, na Argentina, para Cabo Verde.
“Embora seja raro, o hantavírus pode ser transmitido de uma pessoa para outra e provocar doenças respiratórias graves”, indicou a OMS.
O que é o hantavírus?
De acordo com o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose viral aguda que, no Brasil, se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), um quadro grave que pode comprometer o sistema respiratório e cardiovascular.
O vírus pertence à família Hantaviridae e tem como reservatórios naturais roedores silvestres, que eliminam o agente infeccioso pela urina, fezes e saliva sem apresentar sintomas ao longo da vida.
A transmissão para humanos ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de aerossóis contaminados a partir das excretas desses animais. Também pode acontecer por contato direto com mucosas — como olhos, boca e nariz —, por ferimentos na pele ou mordidas de roedores. Embora rara, a transmissão entre pessoas já foi registrada em países como Argentina e Chile, associada a um tipo específico do vírus.
*Com informações da AFP
