Em diário escrito durante a Copa de 2002, Felipão exaltava a união do grupo

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A última conquista brasileira em mundiais foi consequência de trabalho e da boa relação entre os jogadores

Estadão Conteúdof

Na última coluna, destaquei o corte do volante Emerson na véspera da estreia da seleção na Copa de 2002, fato que foi registrado pelo técnico Luiz Felipe Scolari em um diário feito durante a campanha do penta. O treinador colocava no papel as próprias impressões sobre os jogadores e a evolução da equipe no andamento da Copa. 

A vitória contra a Turquia por 1 a 0, gol de Ronaldo, garantiu o Brasil na finalíssima diante da Alemanha. O jogo decisivo foi disputado em 30 de junho, em Yokohama. Felipão ressaltou:  “(…) Chegamos ao grande dia. A expectativa é enorme e a todo momento vejo um atleta passar pelo outro e tocar no ombro e isto me parece como ‘estamos juntos’. Estou tão orgulhoso deste grupo, acredito em 90% do que eu imaginei com relação à amizade, carinho, objetivo atingido, se não foi 100% é porque não tive a capacidade para mais ou não soube chegar mais próximo de alguns. (…).” Ainda no diário, Scolari fez questão de destacar a união do grupo até mesmo no momento da foto oficial, tirada no gramado antes do início do duelo contra os alemães: Todos foram tirar foto, o que não era permitido pela FIFA, mas se organizaram e pronto. TODOS estavam lá. Foi mais uma surpresa agradável deste grupo.”

A vitória por 2 a 0 contra a Alemanha, com dois de Ronaldo, artilheiro da Copa com oito gols, ampliou a hegemonia da seleção em Copas. No diário escrito pelo técnico brasileiro, o pentacampeão desabafou ao falar sobre a conquista: “Alegria, choro, emoção, volta olímpica, abraços e penta. Taça na mão. Voltamos ao hotel e liberamos todos. Nós permanecemos até 4h da manhã revivendo tudo o que realizamos neste ano da seleção. Até neste momento de festa, notamos o quanto foi importante termos saído do Brasil para a Espanha. Malásia e amistosos que realizamos antes e depois de começar a pré-temporada de Copa. (…) Procuramos devolver aos atletas a confiança. (…) Mostramos ao mundo a competência de um departamento médico e as qualidades dos nossos preparadores físicos e dos nossos fisioterapeutas, não esquecendo o nosso grupo de apoio que foi maravilhoso. (…).”

Felipão destacava que o grupo ficou junto 53 dias até o título. Sobre o esquema tático utilizado, alvo de críticas, o treinador explicou que apostou em três zagueiros e que “como alguns não entendiam qual era o esquema de jogo do Brasil, volto a frisar [que] ‘usei todas as qualidades dos atletas’, com variações para determinados momentos.” O técnico apontava que o esquema variou durante a Copa e que a seleção foi hábil em ocupar espaços, surpreender os adversários e chegar sempre à frente. Os trechos do diário estão publicados no livro “Felipão, a alma do penta” (ZH publicações/2002), de Ruy Carlos Ostermann. Vale a pena conferir!

 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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