A sexta-feira mal começava no Cosme Velho quando o telefone tocou antes do café esfriar. Uma amiga, boa de bastidor, ligou para perguntar se eu já tinha visto o vídeo do MC Brinquedo, e a resposta foi um “não” seguido de um “aguarda que eu já volto”. Trinta segundos depois, eu já não era mais a mesma.
Na quinta-feira (30/4), o funkeiro MC Brinquedo, cujo nome de batismo é Vinicius Ricardo de Santos Moura, publicou nas redes sociais um vídeo acompanhado de uma carta aberta anunciando o fim da carreira no funk e revelando a conversão ao evangelho. Ele declarou, com o que descreveu como a maior paz que já sentiu na vida, que entregava voz, nome e história a Jesus Cristo, encerrando ali tudo que o tornou famoso.
A carta tem peso de quem fez o balanço e não gostou do resultado. Brinquedo começou no funk ainda criança, acumulou fama, hits e polêmicas em ritmo acelerado, e o texto publicado ontem fala abertamente nas noites que ninguém fotografa e no vazio que nenhuma música preenche. Para quem acompanhou a trajetória, a reviravolta não saiu do nada: havia sinais de esgotamento e distância do meio nos últimos meses.
Nas redes, a reação foi imediata e dividida entre lágrimas de fãs, ceticismo de veteranos da fofoca digital e uma parcela do público funk esperando pelo “era brincadeira” que, desta vez, não veio. A Carla Bittencourt lá no LeoDias já estava com a matéria no ar antes das duas da manhã, o que diz tudo sobre o tamanho do impacto na internet que nunca dorme.
A coluna respeita a decisão, porque fé é assunto sério e vazio existencial mais ainda. Mas, cá entre nós, MC Brinquedo entregou ao evangelho um artista com um histórico que vai render testemunho nos cultos por um bom tempo.
