Neste 1º de Maio, o debate sobre o mundo do trabalho vai além da geração de empregos e foca nas condições de realização das atividades e no tempo disponível para a vida fora delas.
O mercado de trabalho reproduz desigualdades de gênero, com as mulheres ampliando sua participação, mas em condições desiguais de renda, oportunidades e reconhecimento.
A jornada de seis dias por semana, realidade para milhões de brasileiros, impõe rotinas que afetam o descanso, o convívio familiar e a qualidade de vida. Para as mulheres, essa situação é ainda mais desafiadora, pois o trabalho se estende para casa, com cuidados familiares e tarefas domésticas.
Essa sobrecarga reflete uma organização histórica que atribui às mulheres a responsabilidade pelo cuidado, um trabalho essencial, mas invisibilizado e desvalorizado. Como resultado, falta tempo para descanso, estudos, saúde, participação na vida pública e construção de autonomia.
A escassez de tempo aprofunda desigualdades, que no Brasil possuem cor e classe: mulheres negras e periféricas são as mais impactadas pela informalidade, precarização e jornadas intensas.
Discutir modelos como a jornada 6×1 envolve justiça social e igualdade de gênero. O futuro do trabalho deve priorizar dignidade, reconhecendo o valor do cuidado, redistribuindo responsabilidades e garantindo condições para maior autonomia das mulheres.
O Ministério das Mulheres atua para fortalecer políticas que ampliem o acesso a direitos, promovam a autonomia econômica e combatam desigualdades estruturais.
Garantir mais tempo significa assegurar mais direitos, permitindo que as mulheres escolham seus caminhos, participem da vida pública e vivam com dignidade. Repensar o trabalho é essencial para um futuro societal mais equilibrado, justo e igualitário.
Márcia Lopes
Ministra de Estado das Mulheres
