Musk admite que xAI ‘destilou’ tecnologia da OpenAI para melhorar o Grok

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O bilionário Elon Musk admitiu, em depoimento prestado na quinta-feira (30) num tribunal federal da Califórnia, que sua startup de inteligência artificial (IA), a xAI, usou tecnologia da OpenAI para aprimorar seus próprios sistemas. 

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A confirmação ocorreu durante o interrogatório no processo que Musk move contra a desenvolvedora do ChatGPT. O bilionário admitiu que o chatbot Grok foi treinado por meio de uma prática conhecida como “destilação de modelos”.

O embate jurídico gira em torno do controle e do futuro da OpenAI. Em sua ação judicial, Musk acusa a empresa de Sam Altman de ter se desviado dos seus princípios originais de código aberto. 

No entanto, sua admissão revela que sua própria empresa, a xAI, usa frutos desse desenvolvimento privado para acelerar a competitividade de seus produtos.

Musk admite uso de técnica para ‘copiar’ IA da OpenAI

Para entender o caso, é preciso compreender a destilação de modelos. Ela funciona como uma relação entre “professor e aluno”: uma IA maior e mais avançada (o professor) fornece dados para treinar uma IA menor e mais limitada (o aluno). 

Embora Musk tenha tentado inicialmente dizer que “geralmente todas as empresas de IA” fazem isso, ele acabou admitindo no tribunal que é “em parte” verdade que a xAI destilou a tecnologia da OpenAI.

Montagem mostra Elon Musk e Sam Altman lado a lado
Elon Musk disse que é “em parte” verdade que a xAI destilou a tecnologia da OpenAI – Imagem: Frederic Legrand – COMEO e Meir Chaimowitz – Shutterstock

Musk justificou a prática afirmando ser “padrão usar outras IAs para validar a sua”, mas a indústria vê o tema como uma zona cinzenta. 

Enquanto alguns laboratórios usam seus próprios modelos para criar versões mais baratas, outros usam a técnica para “mimetizar” o desempenho de competidores a uma fração do custo e do tempo original. Isso gera atritos sobre propriedade intelectual e violações de termos de serviço.

Gigantes como Google e Anthropic já adotaram medidas para bloquear o que chamam de “ataques de destilação”, classificando-os como uma forma de roubo de tecnologia. 


Para Musk, a admissão é delicada. Afinal, ela o coloca usando um atalho tecnológico em cima da empresa que ele acusa publicamente de falta de transparência e de comportamento anticompetitivo.

Justiça veta pauta de ‘fim do mundo’ e foca em rastro financeiro

Além da confissão técnica de Musk, o quarto dia de julgamento foi marcado por um “banho de realidade” da juíza Yvonne Gonzalez Rogers

Ela proibiu terminantemente qualquer menção a “riscos existenciais” ou à “extinção da humanidade” causada pela IA. Para a magistrada, o tribunal não é lugar para “roteiros de ficção científica”. E o foco deve ser exclusivo em disputas contratuais e financeiras.

O depoimento de Jared Birchall, braço direito que opera a fortuna de Musk, trouxe o rastro do dinheiro para o centro do debate. Entre 2016 e 2020, o bilionário fez cerca de 60 doações que somaram US$ 38 milhões (aproximadamente R$ 188 milhões)

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Ao fundo, tela com códigos de programação; à frente, mão de uma pessoa segurando um celular que exibe o logo do ChatGPT
Defesa da desenvolvedora do ChatGPT argumentou que Musk perdeu o direito legal de ditar como o dinheiro que investiu na empresa seria usado – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

A defesa da OpenAI argumentou que, como os recursos foram movidos via fundos de doadores (DAFs), Musk perdeu o direito legal de ditar como o dinheiro seria usado, o que enfraquece sua tese de que houve “roubo” de suas doações.

Outro ponto de tensão foi a negação de Musk de que a Tesla busca a IA Geral (AGI). A fala causou burburinho por contradizer suas próprias postagens na rede social X/Twitter, nas quais ele afirma que a montadora será líder nessa tecnologia. 

Por fim, a Microsoft usou o interrogatório para questionar o “timing” de Musk. O advogado Russell Cohen destacou que a parceria entre a empresa e a OpenAI é pública desde 2020

A pergunta que ficou para o júri ponderar foi: por que o bilionário esperou quatro anos (e o sucesso do ChatGPT) para decidir que essa relação era “antiética”?

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(Essa matéria usou informações de The Verge.)

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.




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