Autoridade da Coreia do Sul defende que riqueza da IA beneficie toda a sociedade

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A Coreia do Sul precisa garantir que a riqueza gerada pela inteligência artificial traga benefícios para a população geral. A declaração foi feita pelo vice-primeiro-ministro do país, Bae Kyung-hoon, em um momento em que a nação asiática enfrenta fortes tensões trabalhistas na gigante Samsung e testemunha um rali histórico no mercado de ações impulsionado pela indústria de semicondutores.

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Em entrevista concedida à CNBC, Bae afirmou que a era da IA acendeu um alerta global sobre como os lucros da tecnologia devem ser distribuídos, se a inovação vai agravar a desigualdade social e em que medida ela pode liderar demissões em massa. Ele defende que o objetivo de Seul é construir uma “sociedade inclusiva para a IA”, garantindo que ninguém seja deixado para trás.

“Os conflitos recentes entre trabalhadores e corporações podem ser vistos como parte dessa tendência mais ampla”, explicou o vice-premiê, referindo-se à Samsung.

Bae Kyung-hoon

Na empresa, uma greve de 18 dias planejada por trabalhadores sindicalizados foi suspensa após uma intervenção de última hora de autoridades governamentais para evitar o colapso na produção. Os funcionários exigiam a formalização de bônus em seus contratos e o repasse de 15% do lucro operacional da Samsung em formato de gratificações. Um acordo preliminar foi alcançado e segue em votação pelo sindicato.

Fachadas de prédios da Samsung na Coreia do Sul
Greve de 18 dias planejada por trabalhadores sindicalizados foi suspensa – Imagem: yllyso/Shutterstock

Para Bae, que também comanda o Ministério da Ciência e Tecnologia do país, os embates trabalhistas na era da IA não serão eventos isolados, já que superempresas tendem a concentrar cada vez mais mercado.

O rali dos semicondutores na Bolsa

A concentração de riqueza também se reflete no mercado financeiro. Impulsionado pelo boom da inteligência artificial, o índice Kospi, relacionado à bolsa de valores de Seul, aponta uma alta impressionante de mais de 86% em 2026, superando o ganho de 75% registrado no ano passado.

O movimento é liderado quase inteiramente por duas gigantes dos chips de memória:

  • Samsung: acumula uma valorização de quase 144% desde o início do ano.
  • SK Hynix: disparou quase 200% no mesmo período.

Questionado pela CNBC se essa dependência extrema do setor de tecnologia não seria uma fragilidade econômica, Bae defendeu que essas companhias sustentam um ecossistema gigante de fornecedores locais.


Além disso, ele revelou que a Coreia do Sul planeja avançar no próximo passo da indústria: a “IA física”. O termo refere-se à inteligência artificial incorporada diretamente no mundo real, como em robôs, veículos autônomos e maquinários industriais complexos capazes de sentir, raciocinar e agir fisicamente.

Beatriz Campos

Beatriz Campos

Beatriz Campos é jornalista formada pela Universidade São Judas Tadeu e jornalista do Olhar Digital.




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