Por Lívia Laucevicius
Pesquisas, experimentos ou simulações biológicas realizadas completamente no computador. A análise “in silico” tem permitido que estudantes e profissionais da saúde analisem dados biológicos.
Assim podem promover tratamentos específicos e direcionados, de formas que não podem ser realizadas manualmente.
O estudo é feito com mais de 20 mil amostras com dados públicos anônimos. Os dados moleculares correspondem aos 33 tipos de câncer e tecidos normais correspondentes. Permitem responder perguntas (propostas biológicas) com respeito ao tipo de câncer, segundo a professora Kelly Rodrigues, pesquisadora em biologia molecular.
A questão foi levantada em palestra no Centro Universitário de Brasília (Ceub). Segundo ela, é importante mostrar que essas ferramentas existem e podem ser acessadas sem saber programação.
O diagnóstico automatizado pode chegar a ser extremamente complexo, avalia cada gene específico relacionado à doença. O trabalho humano fica, portanto, mais direcionado e produtivo. A análise surgiu pela primeira vez em 1987 (há quase 40 anos); a base de dados cancerígenos (The Cancer Genome Atlas – TCGA), em 2000.
“Apesar de que os sites são antigos – mais ou menos umas três décadas –, hoje em dia a gente não tem tratamento personalizado para pacientes (…), com essa análise [ferramentas online] , a gente consegue”.

“Pipeline” de análises. Imagem: apresentação da Prof. Kelly Rodrigues
O que responde?
A partir das análises genéticas, a seguinte pergunta pode ser respondida: “Por que o câncer é agressivo?”. Ferramentas como GEPIA2 analisam a atividade biológica e comparam tecidos normais com tecidos tumorais.

Comparação da atuação da proteína “DSC3” no site GEPIA2. Imagem: apresentação da Prof. Kelly Rodrigues
No boneco à esquerda (tumoral), há um destaque da proteína DSC3 no pulmão. Esse gene permite que as células fiquem grudadas umas nas outras. No boneco à direita (normal), aparece na pele e no esófago.
Além disso, as ferramentas de bioinformática permitem um painel de assinatura gênica. “Só um gene não diz nada”, segundo a professora. Essa análise avalia a expressão de múltiplos genes em uma amostra para determinar o comportamento biológico do câncer.
Com as simulações, é possível analisar grandes volumes de dados de expressão gênica e prever padrões de doenças ou a resposta a tratamentos.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira
